A missão do papa peregrino na Hungria

O Papa Francisco com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban. (Foto: Vatican Media)

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25 Abril 2023

Um apelo solene, na fronteira com a Ucrânia, para que se coloque um fim ao conflito aberto pelos russos 14 meses atrás: este, especula-se, será o ponto alto da viagem de três dias a Budapeste que o papa realizará a partir de 28 de abril. O papa Francisco já esteve naquela cidade em setembro, dois anos atrás.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por L'Adige, 24-04-2023. A tradução é de Luisa Rabolini

Mas o Papa tinha ido lá para o encerramento do Congresso Eucarístico Internacional (portanto, não para a Hungria em si) e, acima de tudo, pelo menos aparentemente, na época não estava no horizonte aquela que o presidente russo Vladimir Putin chamou de "operação militar especial", mas que o mundo inteiro chama de "guerra": um evento dramático que começou em 24 de fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia. A Hungria faz fronteira com ela e, portanto, um forte apelo, das margens do Danúbio, para um cessar-fogo naquele país, como primeiro passo para as negociações de paz, entra na lógica da situação.

Em vista da iminente peregrinação, o pontífice disse ontem [23-04-2023]: “Na próxima sexta-feira irei por três dias em Budapeste, complementando a viagem feita em 2021 para o Congresso Eucarístico internacional. Será uma oportunidade de voltar a abraçar uma Igreja e um povo tão queridos. Será também uma viagem ao centro da Europa, onde continuam a soprar ventos gélidos de guerra, enquanto os deslocamentos de tantas pessoas colocam na ordem do dia questões humanitárias urgentes. Mas agora gostaria de me dirigir a vocês com carinho, irmãos e irmãs húngaros, no aguardo de visitar vocês como peregrino, amigo e irmão de todos, e encontrar-me, entre outros, com as suas Autoridades, os Bispos, os sacerdotes e os consagrados, os jovens, os universitários e os pobres. Eu sei que vocês estão preparando com grande empenho a minha vinda: agradeço de coração por isso. E peço a todos que me acompanhem com a oração nessa viagem. E não vamos esquecer nossos irmãos e irmãs ucranianos, ainda afligidos por esta guerra".

Para além desta “guerrana Ucrânia, Bergoglio abordará também a questão dos migrantes, sobra a qual o atual primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, tem posições "soberanistas" não compartilhadas por outros líderes europeus. Por essa razão, as chancelarias ocidentais e, em particular, aquelas da UE, avaliarão cuidadosamente as palavras do papa na Hungria.

Mesmo dentro da Hungria, a “audiência” que ouvirá Francisco é, do ponto de vista religioso, muito variada: de fato, em dez milhões de habitantes, os católicos são a maioria, com 61%; os protestantes (calvinistas) 15%; os ateus ou agnósticos 18%; além de pequenas minorias ortodoxas (até um ano atrás ligadas à Igreja Russa; agora não se sabe) e judaicas.

Naturalmente, tanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyj, quanto o russo Putin irão ler com particular "vigilância" os discursos de Francisco em Budapeste: e, de seus respectivos pontos de vista, avaliarão se é o caso ou não de convidar o papa a Kiev e a Moscou. Mas Francisco já disse: ou visitará ambas as capitais, ou não irá a nenhuma.

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