Trigo. O sentido do bem que se esconde no pão

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

13 Junho 2022

 

O trigo é o grão, o grão maduro, ou seja, seco, porque é quando a espiga seca completamente que o grão está maduro, e o trigo tem uma antiquíssima raiz indo-europeia, gere, que justamente tem o significado de seco, velho, portanto daí o grego geron.

 

O comentário é do romancista italiano Maurizio Maggiani, publicado por RobinsonLa Repubblica, 11-06-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Frumento (em italiano), por outro lado, é o trigo depois da colheita, do latim fruere, gozar, usufruir. Tudo bem, mas há séculos não se faz mais essa distinção e trigo e frumento se tornaram praticamente sinônimos.

 

E, por sua vez, metáforas. Mesmo agora que estamos gordos e fartos de toda gulodice alimentar, falar trigo ainda significa algo muito maior do que um grão; ainda significa pão, e por incrível que possa nos parecer, enquanto não conseguimos comer um pãozinho inteiro e jogamos fora a metade, no som de pão reverbera algo inefável que diz respeito ao essencial do bem, e, ouvindo com atenção, percebemos se insinuar o silvo da fome e estremecemos.

 

Pão e fome, na opulência ainda resta o vestígio fóssil de um antigo grito de guerra, pão e trabalho; na sacola cheia de grissinis a quinze euros o quilo espreita um desejo ancestral de posse, a fartura poderia acabar. Meu pai me dava uma bofetada se me pegasse fazendo bolinhas com o miolo do pão, para ele o miolo já era uma fartura.

 

Agora começou uma nova guerra do trigo, sem sombra de metáfora, mas quem sabe realmente o que é frumento, já perdeu a guerra. "Senhor ajudai-nos a procurar pão para os que têm fome e a procurar fome para os que têm pão", Abbé Pierre.

 

Leia mais