México. O núncio admite que por décadas existiu uma “rede de encobrimento” de abusos a menores na Igreja

Pe. Marcial Maciel cumprimenta o Papa João Paulo II na Praça São Pedro, no ano 2000 (Foto: CNS)

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20 Mai 2021

 

O representante do Papa Francisco no México, Franco Coppola, admitiu que membros da Igreja mexicana “encobriram” durante anos os casos de abusos no país, pelos quais há mais de 271 padres denunciados.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 19-05-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Penso seriamente que houve pessoas que encobriram com más intenções. Quero pensar que também houve pessoas que encobriram sem se dar conta da gravidade, pensando ser uma ajuda ou um gesto”, explicou nesta quarta-feira em entrevista à Efe, na sede da nunciatura apostólica na Cidade do México.

O núncio explicou que “já há processos em curso” para detectar “a rede de encobrimento” que protegeu Marcial Maciel (1920-2008), fundador dos Legionários de Cristo e acusado de abusar sexualmente de membros da congregação e discípulos.

Coppola disse que começou a enfrentar a “situação do abuso” quando chegou ao México como núncio ao final de 2016, e que antes não teve “oportunidade de encontrar nenhum caso deste tipo, nem de pensar essas coisas” nos outros países em que esteve destinado.

“É uma tragédia terrível da qual pode ser que não estivéssemos conscientes. Cada vez que me encontro com as vítimas, me dou conta de quanto é verdade o que disse o Papa Francisco de que (o abuso) se trata de um assassinato psicológico”, expressou.

Segundo dados da Igreja mexicana, durante a última década, 271 clérigos foram acusados de abuso infantil, dos quais, 103 foram destituídos, 45 não foram suspensos e 123 estão sob investigação.

 

Delegação vaticana, cancelada pela pandemia

Em março de 2020 estava prevista a visita de uma deleção enviada pelo papa e encabeçada pelo arcebispo Charles Scicluna para assessorar e avaliar o clero local na luta contra os abusos sexuais, porém foi cancelada pela pandemia.

Coppola assegurou que a delegação chegará ao México “quanto terminar o problema” da pandemia, não obstante, assegurou que “o esforço da Conferência Episcopal Mexicana não parou”.

“Uma grande parte da diocese já tem comissões de proteção a menores e a conferência episcopal se encarregou de capacitá-las”, contou o núncio, que disse que contaram com a assessoria de advogados, psicólogos e psiquiatras.

 

Agradecimento às vítimas

Depois de ter contatado várias vítimas de abuso, Coppola opina que a pedofilia “é pior que um assassinato”, porque deixa consequências para toda a vida como “dificuldade de se relacionar com outras pessoas”.

“Penso que não havia tanta consciência do que passava a essas pessoas. Graças a elas, que revelaram o que ocorreu, fomos ajudados a ter consciência e assumir a postura do Papa de tolerância zero”, disse.

 

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