Irmãs religiosas procuram combater a pandemia, e olhar para o mundo pós-covid

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • Como o dinheiro dos combustíveis fósseis transformou a negação climática na “palavra de Deus”. Artigo de Henrique Cortez

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

30 Abril 2021

 

Em torno de trezentas religiosas se reuniram para debater sobre o que chamam de “mulheres empoderadas” através da educação, instituições especificamente criadas para apoiar mulheres, sendo críticas de situações onde mulheres estão sendo “pisoteadas”, e para contar as histórias de milhares de religiosas que estão preenchendo suas “missões apostólicas”.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 28-04-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Quem somos nós como irmãs? Nós somos o povo escolhido por Deus para ser enviado, nós somos irmãs apostólicas, tentando viver a vida de apóstola, enviadas mundo afora para trazer as boas novas, a mensagem de liberdade da humanidade”, disse a irmã dominicana Helen Alford, membro da Academia do Vaticano para Ciências Sociais. “O que nós fazemos para empoderar mulheres é parte da missão enraizada no Evangelho”.

Alford falou em uma mensagem gravada exibida no início do evento online chamado “Irmãs empoderando mulheres”, organizado pela União Internacional de Superioras Gerais, sob o tema de “Economia e Saúde: irmãs religiosas, líderes de um novo modelo”.

Entre as vozes que lideraram os painéis estavam a irmã estadunidense Carol Keehan, das Filhas da Caridade e presidente da Força-Tarefa sobre Saúde da Comissão Vaticana Covid-19, e a irmã italiana Alessandra Smerilli, salesiana, atualmente subsecretária do Dicastério Vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. O encontro de duas horas foi moderado pela embaixadora do Reino Unido na Santa Sé, Sally Axworthy.

Keehan falou sobre o que a Força-Tarefa sobre Saúde da Comissão Vaticana Covid-19 está fazendo para promover a vacinação de forma igualitária e também sobre seus trabalhos e porque a Igreja Católica vê o recebimento dela como um imperativo moral, apesar de algumas vozes – as quais, como ela diz, abrange desde bispos a irmãs – dizerem o contrário.

O Papa Francisco e o Papa emérito Bento XVI receberam a vacina contra a covid-19, e o Vaticano a ordenou para todos os seus funcionários e ofereceu gratuitamente quase 2 mil sem-tetos e necessitados de Roma. Em entrevista televisionada em 10 de janeiro, o papa disse acreditar que, do ponto de vista ético, todos deveriam tomar a vacina, porque aqueles que não o fizessem não só colocariam em risco suas próprias vidas, mas também as de outras pessoas.

“A Comissão Vaticana Covid-19 pretende trabalhar para resolver este problema global de uma perspectiva global”, disse Keehan. Citando a encíclica do Papa Francisco de 2020, Fratelli Tutti, ela disse: “Quem pensa que a única lição a ser aprendida é a necessidade de melhorar o que já estávamos fazendo, ou de refinar os sistemas e regulamentos existentes, está negando a realidade”.

Keehan disse que sua força-tarefa começou entendendo quais são as contribuições mais valiosas que a Igreja Católica pode fazer no que diz respeito à pandemia, e eles decidiram se concentrar na distribuição equitativa de vacinas e em ajudar a reduzir a resistência em muitos lugares à vacinação.

Embora tenha evitado entrar em detalhes, ela reconheceu que a preocupação que as pessoas têm em alguns países em obter produtos diluídos era “mais do que justificada”.

Desde então, o grupo de trabalho disponibilizou vários recursos para distribuição por dioceses, escolas, paróquias e religiosos. Os recursos combinam dados clínicos atualizados e informações teológicas de base, e vários são guias feitos em formato de perguntas e respostas.

Em sua apresentação, Smerilli falou sobre como a Economia de Francisco foi forçada a mudar de um evento de uma semana na cidade italiana de Assis em 2020 para um processo online internacional para criar um modelo econômico inclusivo que é centrado na pessoa.

Relembrando alguns dos pontos levantados por jovens de todo o mundo durante os vários encontros online, Smerilli disse que os jovens sugeriram o fim dos paraísos fiscais e que todas as grandes empresas tenham órgãos independentes com poder de decisão em questões que envolvam impactos social e ambiental.

Os jovens também pediram que todas as crianças tenham acesso à educação e que as mulheres trabalhadoras tivessem as mesmas oportunidades que os homens. Eles também ecoaram o apelo de Francisco para que o dinheiro atualmente usado no comércio de armas seja utilizado para criar um fundo internacional de combate à pobreza.

“Em um encontro com os coordenadores da Comissão Vaticana Covid-19, o Papa Francisco nos disse que não podemos pensar em desenvolvimento sem partir do que a covid está nos deixando”, disse Smerilli. “Não podemos pensar em gerir as questões sobre a covid sem uma noção de desenvolvimento humano integral”.

 

Leia mais