Observatório da UnB elabora cartilha para catadores e catadoras

Covid -19 gera dificuldades para catadores. | Foto: Elizabeth Nader/Prefeitura de Vitória

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15 Julho 2020

A coleta de lixo que vai parar nas mãos de coletor@s e reciclador@s deve ficar exposta em local ventilado e, se possível, sob a luz do sol, pelo menos 72 horas antes do manuseio d@s trabalhador@s. A recomendação consta de cartilha para a prevenção do coronavírus elaborada pelo Observatório PrEpidemia, da Universidade de Brasília (UnB). 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

A cartilha é destinada aos 520 catadores que trabalham nas cinco Instalações de Recuperação de Resíduos (IRR) gerenciadas pela Secretaria de Limpeza Urbana (SLU) da capital federal e aos autônomos envolvidos na coleta e reciclagem de resíduos. Outras 11 associações ou cooperativas que fazem a coleta seletiva de porta a porta com veículos próprios em 15 regiões administrativas do Distrito Federal são parceiras da SLU

A cartilha traz informações preventivas, como cuidados com a higiene pessoal, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), limpeza de ambientes e superfícies e orientações para @s trabalhador@s. 

Desde o início da pandemia, garis que atuam na limpeza urbana, considerado um serviço essencial, mantiveram as atividades em todo o país. O mesmo não ocorreu com o trabalho de reciclador@s. No Distrito Federal, a coleta seletiva foi suspensa por meio de decreto emitido no dia 20 de março. 

A retomada dependerá da apresentação de plano de segurança e prevenção de risco envolvidos na operação, informa a Secretaria de Comunicação da UnB. Mesmo num próximo retorno trabalhador@s da atividade estarão vulneráveis ao vírus, uma vez que manipulam resíduos que podem estar contaminados. 

Aí entra o grupo de pesquisa da UnB, que analisa a situação de trabalho de catador@s de lixo de Brasília. Preparou, assim, a cartilha publicada pela Waste Workers Occupational Safety and Health (VVOSH), da qual o grupo brasileiro foi parceiro na sua elaboração, voltada a reciclador@s, com material dirigido também ao poder público e com proposições à população. Além da cartilha, o material será apresentado em formato de desenho animado.

“Os catadores trabalham em condições insalubres, pois a população não sabe separar o lixo adequadamente e eles correm riscos de se cortar, de entrar em contato com bactérias da decomposição de alimentos, já que os recipientes não são higienizados antes de serem jogados fora”, analisou a professora Dayani Galato, do curso de Farmácia e integrante do Observatório

Por isso, a população deve separar o lixo orgânico do inorgânico e, principalmente, acondicionar os materiais residuais de pessoas contaminadas em saco limpo e resistente à ruptura, bem fechado em com os dizeres “Cuidado resíduo infectantecovid-19”. 

O contágio do coronavírus pode se dar via interpessoal por gotículas e aerossóis, mas também decorrer do contato com superfícies contaminadas. Estudos indicam que o covid-19 pode permanecer até 120 horas em papéis, papelão e plásticos; 96 horas em vidros e madeiras; 48 horas em aço inoxidável; 8 horas em alumínio e luvas de látex; 4 horas em cobre; 2h30 em poeiras. 

O Observatório PrEpidemia recomenda aos gestores que zelem pela limpeza diárias dos caminhões das cooperativas e que monitorem periodicamente a saúde dess@s profissionais e compensem, financeiramente, catador@s que apresentarem quadros relativos ao covid-19

Além das recomendações já conhecidas, como higienizar as mãos com álcool em gel ou hipoclorito pelo menos por um minuto, usar máscaras, EPIs, escudos faciais, touca e luvas, o grupo de pesquisa da UnB recomenda a catador@s que evitem se expor diretamente a vapores oriundos dos resíduos durante a coleta, e que façam de 5 a 10 minutos de alongamentos e exercícios respiratórios a cada início de jornada de trabalho. 

Estudo ainda em andamento, realizado pelo grupo de Pesquisa do Programa Pare, Pense, Descarte, da UnB, levantou que 58,7% d@s 520 catador@s que estão vinculados ao SLU são mulheres, e destas, 59% são solteiras. A média de idade dos catadores é 39,7 anos e 83,5% se declararam pret@s ou pard@s. A maior queixa do grupo – 71.7% - no tocante às condições de trabalho está relacionada à falta de ventilação nos locais de atividades.

 

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