Advogado jesuíta australiano condena "farsa judicial" em caso de ex-arcebispo Wilson

Ex-arcebispo de Adelaide, Philip Wilson | Foto: Arquidiocese de Adelaide

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16 Dezembro 2018

Um dos padres mais proeminentes da Austrália, Frank Brennan, diz que a “farsa judicial" do ex-arcebispo de Adelaide Philip Wilson saiu pela culatra, causando danos a muitas pessoas, "principalmente a vítimas de abuso sexual infantil que pensavam que a lei estava sendo aplicada ao colocar um bispo católico de forma equivocada na cadeia".

A reportagem é de Mark Brolly, publicada por The Tablet, 12-12-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Brennan, jesuíta e advogado, CEO da Catholic Social Services, disse que a lei sob a qual o Arcebispo Wilson foi acusado, Seção 316 da New South Wales Crimes Act, "deve ser revogada ou revisada exaustivamente".

"Todos, incluindo as vítimas de abusos e autoridades da Igreja como Wilson, têm o direito de serem regidos por leis claras, sensatas e práticas. A seção 316 não o é, e nunca o foi", escreveu Brennan no site da Eureka Street, administrado por jesuítas.

Brennan também disse que esperava por isso, e que rezou por Peter Creigh, que concedeu provas durante o julgamento de que quando era menino em 1976, dissera ao padre Wilson que foi agredido sexualmente por um padre da Diocese de Maitland-Newcastle, Jim Fletcher. O padre Fletcher morreu na prisão em 2006.

"Neste caso, os processos da lei criminal infligiram um grande dano a cada um deles", escreveu Brennan.

O arcebispo Wilson, de 68 anos, teve sua condenação por encobrir o abuso sexual de crianças anulado em 6 de dezembro pelo juiz Roy Ellis, na Corte do Distrito de Newcastle, ao norte de Sydney. O juiz Ellis ordenou que o arcebispo Wilson, que havia cumprido quatro meses de um mínimo de seis meses de detenção domiciliar, fosse libertado.

O arcebispo, acusado em março de 2015 de encobrir abuso sexual infantil, foi condenado em maio deste ano e renunciou ao cargo de arcebispo de Adelaide em julho.

O juiz Ellis também negou o apelo ao recurso do diretor de Promotoria Pública de New South Wales contra a "leniência" da decisão do magistrado Robert Stone no Tribunal Local de Newcastle em agosto de que Wilson deveria cumprir 12 meses de prisão domiciliar.

A Coroa indicou que vai entrar com recurso contra a decisão.

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