Trump diz que está acompanhando as eleições no Brasil "muito de perto"

Foto: Wikimedia Commons

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02 Outubro 2026

O republicano evita dar apoio explícito ao candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro, rival de Lula.

A reportagem é de Macarena Vidal Liy e Joan Royo Gual, publicada por El País, 03-10-2026.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que está acompanhando “muito de perto” as eleições presidenciais no Brasil, marcadas para outubro de 2026, mas evitou declarar apoio explícito ao candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro, rival do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Estou acompanhando de perto. É um país muito importante. O povo brasileiro é fantástico. É uma eleição muito importante”, disse o republicano.

A relação entre Trump e Lula tem sido marcada por tensões crescentes. O republicano impôs novas tarifas de até 125% sobre produtos brasileiros, em uma escalada de sua guerra comercial global, e incluiu facções criminosas brasileiras na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos.

O governo brasileiro classificou as medidas norte-americanas como uma forma de interferência nos assuntos internos do país. Lula já declarou que o Brasil “não se mete no quintal de ninguém”, em resposta direta à postura de Washington em relação à América Latina.

A chamada Doutrina Donroe — combinação do sobrenome de Trump com a histórica Doutrina Monroe — tem orientado a política externa norte-americana para a região, com apoio declarado a candidatos conservadores e de extrema-direita em diferentes países, como o hondurenho Nasry Asfura e o colombiano Abelardo de la Espriella.

Em maio, Flávio Bolsonaro viajou a Washington para um encontro com Trump. O filho do ex-presidente foi recebido no Salão Oval, três semanas depois de uma visita de representantes do governo Lula, e obteve a fotografia ao lado do republicano — mas não um endosso explícito à sua candidatura.

Interferência dos EUA e da Rússia

A ABIN informou autoridades francesas e alemãs sobre uma suposta interferência eleitoral por parte de Estados Unidos e Rússia no processo eleitoral brasileiro, segundo apurou a reportagem. O órgão brasileiro de inteligência tem acompanhado de perto a circulação de desinformação nas redes sociais ao longo da campanha.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a interferência atribuída aos Estados Unidos se daria sobretudo por meio do uso do sistema judicial para fins políticos, de forma já abertamente reconhecida por integrantes do governo Trump.

Uma delegação europeia — formada por representantes da Viginum e da Arcom, da França, e da Bundesnetzagentur, da Alemanha — visitou Brasília nas últimas semanas. O encontro, inicialmente programado para tratar da aplicação do Digital Services Act (DSA) europeu, acabou também abordando o tema da interferência estrangeira no pleito brasileiro.

Segundo levantamento da agência Reuters, os ataques cibernéticos no Brasil quase dobraram em comparação a 2015, em meio ao aumento da tensão em torno do processo eleitoral.

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