24 Agosto 2026
Neste domingo (23), a epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) completa exatamente 100 dias desde que foi oficialmente declarada. O papa Leão XIV pediu que a comunidade internacional contribua para conter a propagação do vírus e encerrar o surto mais letal da história do país africano, com 2.557 mortes registradas entre 5.375 casos confirmados, de acordo com o relatório mais recente.
A informação é publicada por Rfi, 23-08-2026.
O papa encorajou a intensificação dos esforços contra a epidemia de ebola na República Democrática do Congo após a oração do Angelus, na Praça São Pedro, neste domingo. Ao lembrar que a propagação da doença tem causado muitas vítimas, Leão XIV pediu a ação da comunidade internacional, com o envolvimento das comunidades locais, "para salvar muitas vidas humanas".
A epidemia de ebola é a mais letal da história da RDC. O surto atinge regiões do norte e do leste do país, onde a presença do Estado é limitada, a infraestrutura de saúde é precária e diversos grupos armados atuam há décadas.
A doença continua fora de controle. A marca simbólica de 2.500 mortes foi superada no fim da semana. O balanço dos primeiros 100 dias não é favorável. O vírus avança mais rapidamente do que a resposta sanitária e continua a se espalhar.
"No dia 15 de maio, quando declaramos a epidemia, havia apenas uma província e duas zonas afetadas. Neste momento, temos seis províncias atingidas e quase 55 zonas. Isso significa que a propagação do surto é um problema", explicou Jean Kaseya, diretor-geral do Africa CDC, agência de saúde da União Africana.
O fato de a RDC estar mais familiarizada com a cepa Zaire do vírus ajuda a explicar essa progressão acelerada. Atualmente, a cepa Bundibugyo é a mais disseminada na população. Por isso, a epidemia foi identificada tardiamente.
Resposta financeira
Segundo o diretor do Africa CDC, a resposta da comunidade internacional, especialmente no aspecto financeiro, tem sido compatível com a gravidade da situação.
"Recebemos promessas de financiamento no valor de US$ 1 bilhão. Posso dizer que, neste momento, dos US$ 1 bilhão prometidos, o Africa CDC já contabilizou quase US$ 700 milhões disponibilizados pelos parceiros", afirmou.
Esses recursos precisam ser direcionados aos profissionais que atuam no terreno, especialmente às ONGs. Sobre a gestão desses fundos, Jean Kaseya cobra transparência e responsabilidade do governo da RDC.
"Essa não é uma tarefa do Africa CDC. Cabe ao ministro e à sua equipe saber onde os parceiros estão destinando os recursos. Como sempre digo, um governo não reclama, um governo age", declarou.
A mensagem é clara. O governo congolês e o Africa CDC não estão sozinhos nesse esforço. Eles contam com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em uma publicação na rede social X, no sábado (22), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que todos os envolvidos precisam fazer mais para conter e erradicar a epidemia.
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