11 Agosto 2026
A fuga clandestina da cúpula da OTAN em Ancara, na Turquia, revelada pelo Washington Post, sublinha o crescente temor da Casa Branca de uma possível tentativa de assassinato contra o presidente.
A reportagem é de Juan Gabriel García, publicada por El Diario, 11-08-2026.
Donald Trump retornou da recente cúpula da OTAN em Ancara, na Turquia, em um avião secreto, e não no antigo Air Force One, como havia relatado a Casa Branca. Após embarcar na aeronave presidencial, o presidente americano foi transferido por um caminhão de apoio para outro jato militar, conforme revelado em uma reportagem exclusiva do The Washington Post. A matéria, que desde então foi repercutida por outros veículos da mídia americana, destaca como o Serviço Secreto tomou essa decisão após uma ameaça iraniana contra o republicano.
Até então, nada se sabia sobre a missão. Aliás, o voo já era controverso porque Trump, em vez de retornar no Air Force One, um presente do Catar — que ele havia usado na viagem Washington-Ancara — foi descartado por motivos de segurança devido à escalada da guerra Irã-Iraque. Foi nessa mesma época que o presidente declarou o frágil cessar-fogo rompido, e os esforços diplomáticos mais uma vez estagnaram.
A operação do Serviço Secreto foi realizada sem o conhecimento de todos os jornalistas e de alguns funcionários da Casa Branca que estavam a bordo do Air Force One naquele dia. Todos estavam no avião acreditando que Trump estava no mesmo voo, completamente alheios à ameaça iraniana.
Desde que os Estados Unidos bombardearam Teerã no final de fevereiro e mataram o Líder Supremo Ali Khamenei, as preocupações com uma possível ameaça iraniana só aumentaram. O sigilo em torno da operação, incluindo mentiras sobre a localização real do presidente, reforça o temor dentro do governo americano de um possível ataque iraniano contra o presidente.
🇺🇸 Trump foi fotografado jogando golfe acompanhado por um sistema antiaéreo móvel AN/TWQ-1 SHORAD e de um radar AN/MPQ-64 Sentinel. O reforço militar indica que o Serviço Secreto já considera reais as ameaças aéreas contra o presidente dentro dos EUA, sobretudo de drones. pic.twitter.com/I3XzYsMKTL
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) August 11, 2026
Mesmo após os ataques terroristas de 11 de setembro, o governo de George W. Bush não ocultou informações sobre o paradeiro do então presidente. Em vez disso, a Casa Branca simplesmente declarou que o presidente havia sido transferido para "um local não classificado". Algumas horas depois, revelaram que ele havia sido transferido para uma instalação militar no Nebraska.
Logo após a notícia sobre a mudança secreta de Trump, a Casa Branca ainda não negou o relato. Em entrevista à NewsNation, Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca, evitou negar diretamente a existência de um terceiro avião. "Há muitos inimigos dos Estados Unidos que têm [Trump] na mira, e usamos todas as ferramentas à nossa disposição para combater essas ameaças", disse Cheung.
A operação de transferência de Trump de um avião para outro em 8 de julho ocorreu em questão de minutos. Conforme o Washington Post pôde analisar vídeos do aeroporto — e posteriormente corroborar com fontes oficiais — o republicano foi transportado em um caminhão usado para entregar o serviço de bordo à aeronave.
Vídeos do aeroporto turco mostram o presidente embarcando no antigo Air Force One pela porta da frente e acenando em despedida. Nesse momento, outra aeronave, um C-32 da Força Aérea, já estava posicionada logo atrás. O vídeo mostra o caminhão de catering se movendo sob o Air Force One. Assim que o presidente embarca, o contêiner branco do caminhão é erguido até a altura da porta traseira do lado oposto da aeronave. Segundo fontes oficiais, um sistema hidráulico foi instalado para tornar isso possível.
Enquanto isso acontecia, membros da imprensa começaram a embarcar por outro portão. Nesse momento, o contêiner do caminhão já havia retornado à pista e se aproximava da escada do outro jato, que estava logo atrás. O C-32 é um modelo usado para transportar outros membros do governo americano e, ocasionalmente, serviu como aeronave presidencial ou vice-presidencial. Nessa ocasião, Trump voou com o Secretário de Defesa Pete Hegseth.
Leia mais
- Trump encontra (para sua surpresa) adversários à altura no Irã: líderes tão obstinados quanto ele. Artigo de Andrew Roth
- "Negociações difíceis, os EUA e Teerã querem provar que venceram". Entrevista com Abdulla Banndar Al-Etaibi
- Por que os acordos de Trump em Gaza, Líbano e Irã são uma farsa. Artigo de Javier Biosca Azcoiti
- Khamenei: "Trump fez tudo o que pôde para chegar a um acordo, mas eu não concordei"
- “Trump está apenas ganhando tempo”: iranianos encaram a assinatura do acordo de paz com Washington com ceticismo
- A paz com o Irã depende do Líbano. Artigo de Shlomo Ben Ami
- Um campo minado para a paz: os obstáculos que o acordo EUA-Irã enfrenta
- Das taxas de pedágio no Estreito de Ormuz ao programa nuclear iraniano: a longa série de omissões no memorando
- O Papa Leão XIV se pronuncia sobre o acordo EUA-Irã
- Trump suspende ataques ao Irã e anuncia um acordo que Teerã nega
- EUA e Irã: perto de um acordo? O que se sabe sobre as negociações nos bastidores
- EUA-Irã: memorando de cessar-fogo e contexto. Artigo de Riccardo Cristiano
- Pax Americana e o Futuro do Oriente Médio. Artigo de Riccardo Cristiano