Após excomunhão, Fraternidade Sacerdotal São Pio X, no Quênia, insiste na identidade católica, lutando contra a arquidiocese

Foto: CNS/Cortesia da Fraternidade São Pio X

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16 Julho 2026

Enquanto bispos africanos continuam a apoiar o Papa Leão XIV na decisão de excomungar a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), o grupo tradicionalista no Quênia rejeitou o rótulo de cismático, buscando assegurar aos seus fiéis sua identidade católica romana.

A reportagem é de Frederico Nzwili, publicada por OSV News e reproduzida por National Catholic Reporter, 14-07-2026.

O padre Pierre Champroux, responsável pela Paróquia da Santa Cruz da FSSPX em Nairóbi, afirmou em um comunicado de 12 de julho que a principal missão da sociedade era fornecer às pessoas "sã doutrina" e "todos os sacramentos recebidos de Nosso Senhor Jesus Cristo".

Esta associação, também conhecida como Lefebvrianos em homenagem ao seu fundador, o arcebispo francês Marcel Lefebvre, atua no Quênia administrando uma escola internacional, uma congregação de religiosas e contando com alguns padres locais que operam em Nairóbi.

Em 2 de julho, o Vaticano declarou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em cisma após o grupo tradicionalista consagrar quatro bispos sem o mandato papal, marcando a ruptura mais grave na Igreja desde as consagrações episcopais não autorizadas do arcebispo Lefebvre em 1988. Em uma medida bombástica, o Vaticano também declarou inválidos os sacramentos da penitência e do matrimônio caso fossem realizados dentro da Fraternidade.

"Não somos uma igreja paralela. Permanecemos plenamente católicos e ligados à Sé de Pedro e ao seu sucessor, o Papa Leão XIV", disse Champroux em sua declaração.

"A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma sociedade sacerdotal católica... para a preservação e transmissão da Fé tradicional, do sacerdócio católico e do rito romano imemorial da Santa Missa", disse ele.

O padre respondia à carta pastoral de 9 de julho do arcebispo local Dom Philip Anyolo de Nairóbi, que exortava os católicos quenianos a permanecerem em comunhão com o Papa e a rejeitarem a FSSPX e suas atividades. O arcebispo também proibiu os padres de celebrarem missa com o clero da FSSPX ou de os convidarem para ministrar nas paróquias e instituições da arquidiocese.

"Deve-se afirmar claramente, no entanto, que o amor pela sagrada liturgia, a reverência pela tradição ou o apego à Missa em latim não são, em si mesmos, cismáticos", disse Anyolo, classificando o tema da FSSPX como uma questão importante que afeta a unidade da Igreja, a integridade da comunhão católica e o bem-estar espiritual dos fiéis.

"O grave problema surge quando há recusa da plena comunhão com o Romano Pontífice e os bispos em comunhão com ele, rejeição na prática da autoridade do Papa e o estabelecimento de uma vida eclesial paralela fora da comunhão canônica da Igreja Católica", disse o arcebispo.

A FSSPX tem uma presença consolidada na área de Lovington, em Nairóbi, e é publicamente conhecida como Igreja Católica da Santa Cruz ou Igreja e Priorado da Santa Cruz.

"Os fiéis devem ser devidamente informados para que não sejam enganados pelo uso do nome 'Católico' ou por formas externas de culto católico", disse Anyolo.

A FSSPX adere às tradições pré-Vaticano II, incluindo a celebração exclusiva da Missa em latim. O concílio de 1962-1965 introduziu mudanças na liturgia, incluindo o uso de línguas vernáculas em vez do latim e permitiu que os sacerdotes se voltassem para a congregação. Também permitiu o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, aos quais o grupo se opõe.

Em 1º de julho de 1988, Lefebvre foi excomungado após consagrar bispos sem a autorização do Vaticano. Em 2026, 38 anos depois, num episódio visto como repetição da história, a Fraternidade consagrou quatro novos bispos sem o mandato papal, incluindo um dos Estados Unidos, apesar dos apelos do Papa Leão XIV para que se mantivesse a comunhão com o Papa e a Igreja Católica.

Em 2 de julho, o Dicastério para a Doutrina da Fé, por meio de um decreto, anunciou a excomunhão dos bispos diretamente envolvidos nas consagrações. O decreto declarou ainda que os ministros da entidade estavam em cisma e sujeitos à excomunhão. Os católicos leigos que continuassem a aderir a ela seriam considerados excomungados.

"As consequências canônicas são graves. A excomunhão fere a comunhão com a Igreja e exclui a pessoa da plena participação na vida sacramental e eclesial da Igreja até que a reconciliação seja alcançada de acordo com as normas da Igreja", disse Anyolo.

Ao mesmo tempo, ele exortou os padres que porventura desejem deixar a FSSPX a se apresentarem ao arcebispo para reintegração, e os cristãos a se apresentarem aos seus párocos caso desejem se reintegrar à Igreja Católica.

Mas Champroux afirmou que a sociedade sustentava e mantinha a posição de que "essas penalidades eram objetivamente injustas e inválidas".

"Elas não correspondem ao verdadeiro estado de necessidade em que a Igreja se encontra hoje, nem invalidam os sacramentos que administramos segundo os ritos tradicionais", disse o sacerdote, acrescentando que as consagrações de 1º de julho foram realizadas por "grave dever" para a "continuação do sacerdócio tradicional em meio à crise atual".

"Não aceitamos o rótulo de cisma. Não temos nenhum espírito de amargura ou rebeldia", disse o sacerdote da FSSPX, acrescentando que o grupo deseja "permanecer fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua única Igreja, à Sua Santíssima Mãe, ao Magistério perene e à Fé de todos os tempos".

"Não nos separamos da Igreja Católica Romana", afirmou Champroux.

O arcebispo de Nairóbi pediu aos padres, catequistas e líderes dos movimentos da Igreja "que ajudem os fiéis a compreender esta questão com calma e precisão".

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