Elite brasileira vê Amazônia como fronteira barata para expansão econômica, diz ex-diretor da ONU

Com mais de 50% da Amazônia em seu território, o Brasil possui uma responsabilidade primordial na preservação do bioma (Foto: Cecília Bastos | USP Imagens)

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02 Julho 2026

Achim Steiner destaca que investimentos precisam levar em conta as características da região, com adaptabilidade à realidade da floresta.

 A informação é publicada por ClimaInfo, 02-07-2026. 

O ex-subsecretário-geral da ONU, Achim Steiner, avalia que a elite brasileira vê a Amazônia como uma “fronteira barata” para a expansão econômica. A visão é a mesma para os outros países da região, segundo ele, o que torna difícil uma mudança estrutural. “Isso é o que o dinheiro faz. O dinheiro busca o curto prazo, e a Amazônia é como um prêmio de loteria de curto prazo“, disse à Folha.

Steiner também é ex-diretor dos programas da ONU para meio ambiente (PNUMA) e desenvolvimento (PNUD). Para ele, os investimentos na região amazônica necessitam levar em conta as características do lugar, com adaptabilidade à realidade da floresta. Grandes obras de infraestrutura na Amazônia impactam, invariavelmente, as comunidades tradicionais. E regiões de fronteira agrícola, como o sul do Amazonas, Rondônia, Acre e Mato Grosso, são também arcos de desmatamento.

Pesquisador sênior da Universidade de Oxford, Steiner avalia que há uma “batalha por sobrevivência” na Amazônia e que é preciso discutir, do ponto de vista da viabilidade econômica, a infraestrutura ecológica na região.

Quanto à COP30, o especialista afirma que a conferência ficará nos livros de história como um momento em que países não se dobraram ao boicote de Donald Trump a assuntos de multilateralismo e sustentabilidade. “O mundo disse: Estados Unidos, você pode não querer fazer parte disso, mas o ‘trem’ está seguindo em frente. Os Estados Unidos não apareceram. Todo o resto do mundo apareceu”, disse.

Outro destaque foi o crédito ao Brasil pela proposta do roteiro global para a eliminação gradual de combustíveis fósseis, que deve ser apresentado até a COP31, na Turquia, em novembro, informa A Crítica.

Em tempo

Segundo um estudo publicado por pesquisadores das Universidade de Oxford, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), a Floresta Amazônica está alterando seu funcionamento diante do aumento do calor e da escassez de água no solo. Pesquisadores analisaram dados de satélite reunidos ao longo de 40 anos e combinaram com medições em campo, o que indicou um padrão consistente de mudança.

Segundo o estudo, as regiões com maiores diferenças foram as Regiões Sul e Leste, historicamente castigadas por intervenções humanas e falta de chuvas. Neste cenário, a floresta está adotando característica de vegetação de regiões mais áridas, o que pode indicar pressão crescente sobre um ambiente altamente biodiverso e fundamental para a regulação do clima, informa a Folha.

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