30 Junho 2026
"Dei instruções a todas as agências governamentais para se prepararem para agir com rapidez. Estamos aqui para os nossos grandes e novos amigos." As imagens da Venezuela, reduzida a escombros pelos dois abalos sísmicos, mal haviam começado a circular quando, na noite de quarta para quinta-feira, Donald Trump se apressou em garantir assistência pelas redes sociais. Ao contrário de outros anúncios postados a toda hora no Truth, essas palavras foram imediatamente seguidas por ações. Washington destinou 150 milhões de dólares para as operações de socorro em Caracas. Centenas de milhões adicionais foram previstos pelo Departamento de Estado para serem canalizados por meio de organizações presentes no território.
A informação é Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 27-06-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Simultaneamente, o governo mobilizou uma equipe de resposta rápida e duas brigadas de busca e salvamento altamente especializadas, vindas da Virgínia e da Califórnia. O Comando Sul está colaborando na logística dos socorros, mobilizando navios, aviões e helicópteros. Além disso, em questão de horas, o Departamento do Tesouro suspendeu, até 23 de outubro, uma série de restrições financeiras que ainda permaneciam em vigor, apesar da nova linha de ação iniciada pelos EUA seis meses atrás. A assistência dos EUA é tanto um dever quanto uma necessidade, dada a precária situação financeira, social e de infraestrutura do país, condições que já eram críticas muito antes dos tremores de 24 de junho. No entanto, a generosidade dos EUA para com Caracas contrasta fortemente com o extremo rigor do governo em relação à ajuda humanitária, em nome da agenda "America First". O desmantelamento da USAID, a principal agência de cooperação, representa seu trágico emblema.
Mesmo para desastres recentes, a resposta do governo republicano tem sido, no mínimo, cautelosa. Após o terremoto de março de 2025 em Mianmar, uma nação mantida refém por uma junta militar e dilacerada por conflitos civis, os EUA destinaram US$ 9 milhões em ajuda. Para as ilhas do Caribe atingidas pelo furacão Melissa em outubro passado, os EUA forneceram US$ 37 milhões. Mas, para o magnata, a Venezuela não é um país com os outros; é o ponto central da geopolítica latino-americana da Casa Branca. Serve tanto como campo de testes quanto como vitrine da "Doutrina Donroe", a estratégia de hegemonia continental originalmente formulada pelo presidente Monroe no século XIX e readaptada para o novo milênio a partir de janeiro de 2025. Com a marca inconfundível do método Trump: ameaças e represálias contra os governos latino-americanos que – cada vez menos – resistem às suas imposições e apoio àqueles que as acatam – cada vez mais numerosos –, especialmente quando mais precisam.
Esse é o caso da administração liderada por Delcy Rodríguez, ex-vice e leal aliada de Maduro, agora aliada mais que entusiasta dos EUA que, na prática, concedeu a Washington a palavra final sobre suas vastas reservas de petróleo. Nunca como agora a presidente, oficialmente "interina", esteve tão frágil. Após anos de turbulência econômica causada pelo chavismo – do qual foi protagonista –, a gestão da emergência do terremoto apresenta-se como um desafio titânico. Uma oportunidade única para os adversários internos de facções rivais, vozes até o momento silenciadas. Isso inclui a ala linha-dura do antigo regime, que não perdoa a líder por sua mudança de lado. E o anti-bolivarismo intransigente ligado a María Corina Machado. Esse último, em particular, vê num eventual fracasso de Rodríguez uma "janela de oportunidade" para mostrar sua incapacidade de manter a nação sob controle e se propor como alternativa, não tanto aos olhos da população, mas aos olhos de Trump, que a havia descartado após os eventos de 3 de janeiro.
Até o momento, no entanto, o magnata parece decidido em manter a linha de uma mudança no topo, em vez de uma mudança completa de regime, de modo a minimizar os choques e os impactos nos negócios, particularmente no comércio de petróleo bruto. Pelo menos enquanto as perturbações permanecerem mínimas. Poucas horas antes do terremoto, havia retornado a Caracas, vinda da Espanha, Dinorah Figuera, após uma ausência de oito anos; ela é uma dissidente incumbida pela Casa Branca de mediar as negociações com o governo em vista de uma futura votação.
Uma figura sem dúvida menos conhecida do que Machado, indicada pela plataforma unitária das oposições venezuelanas como interlocutora oficial junto ao chavismo. Mas também menos virulenta em suas críticas e capaz de atuar na mediação. Essa última característica não é exatamente típica de Trump. Dessa vez, porém, o magnata precisa garantir que a experiência da Venezuela seja bem-sucedida. E se torne o "modelo" para uma América, ao norte e ao sul do Rio Bravo, no estilo Donroe.
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