24 Junho 2026
Após o Met Office prever temperaturas de 40°C no Reino Unido, cientistas voltaram a alertar que os políticos não estão compreendendo a magnitude da crise climática e que cidades europeias não estão preparadas para as temperaturas extremas. A segunda onda de calor do ano no continente deve bater recordes de temperatura para junho.
A informação é publicada por ClimaInfo, 23-06-2026.
“Há uma triste inevitabilidade em tudo isso, com cientistas como eu repetindo as mesmas declarações ano após ano. Sim, é mudança climática; sim, somos nós os responsáveis; não, não é o El Niño“, afirma Friederike Otto, professora do Imperial College London, no Independent. “Toda onda de calor coloca vidas em risco, e já passou da hora de tratarmos o problema com a urgência que ele exige”.
As temperaturas extremas coincidem com a Semana de Ação Climática de Londres (LCAW). A organização do evento providenciou ar condicionado e água para o público, mas há limites ao resfriamento. Edificações e infraestrutura do continente europeu não foram projetadas para o clima atual, lembram The Guardian e The Times.
Na França, o governo confirmou 40 mortes por afogamento em todo o país desde 18 de junho, sendo a maior parte das vítimas pessoas jovens, informa o Guardian. Devido à temperatura de 46°C na região de Toulouse, um dos reatores de uma usina nuclear foi desligado, após a temperatura da água do rio Garonne, usada para resfriar a planta, subir acima dos limites operacionais seguros, destaca o London Loves Business. Em Paris, escolas e pontos turísticos, como a Torre Eiffel e o Louvre, foram fechados mais cedo devido ao calor.
A infraestrutura ferroviária também foi afetada pelas temperaturas extremas, com trilhos se deformando e cabos de energia se rompendo em Paris e na Bélgica. Segundo o francês Le Monde, houve atrasos e cancelamentos de viagens e foram emitidos alertas para viajantes com problemas de saúde, recomendando que evitassem a exposição ao calor.
Operário da construção civil de 31 anos que trabalhava em uma obra na capital francesa, Vadim Bobu disse ao RFI que “está ficando um pouco insuportável; está muito quente”. Mas completou: “Não temos escolha, precisamos pagar as contas”. O que escancara ainda mais a injustiça climática, que sempre penaliza mais quem menos contribui para a crise climática.
AP, France 24, Al Jazeera, Reuters e Folha também repercutiram o calor extremo que frita parte da Europa.
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