20 Junho 2026
Uma pesquisa realizada com grupos católicos LGBTQ+ na Itália identificou 58 grupos distintos que, em conjunto, representam "uma constelação de realidades vibrantes – realidades que entrelaçam fé, relacionamentos e comunidade, não mais as mantendo separadas", segundo a organização responsável pela pesquisa.
A informação é de Phoebe Carstens, publicada por New Ways Ministry, 19-06-2026.
A Tenda di Gionata (Tenda de Jônatas), uma organização católica italiana LGBTQ+, realizou um censo de grupos católicos LGBTQ+ em toda a Itália em 2025, numa tentativa de compreender e fortalecer a rede de apoio para católicos LGBTQ+ e suas famílias. A necessidade de construir e reforçar essa rede é evidente: de acordo com o relatório resumido por Innocenzo Pontillo para o Gionata.org, o sentimento mais comum expresso por indivíduos que buscam o apoio da Tenda di Gionata é uma frase simples: "Eu pensava que estava sozinho. Então descobri que não estava."
Pontillo comentou: "[Essa frase] diz muito. Ela retrata a solidão vivenciada por muitos cristãos LGBTQ+ e seus pais dentro das comunidades cristãs. Transmite o peso de um silêncio suportado por muito tempo, mas também a maravilha de descobrir que alguém, em outro lugar, estava passando pela mesma luta — enfrentando as mesmas perguntas e buscando a mesma fé e significado."
O censo revelou diversas tendências interessantes entre os 58 grupos, incluindo uma tendência comum de reunir membros de origens diversas: católicos LGBTQ+, pais de crianças LGBTQ+, jovens e aliados — uma diversidade que sugere "uma resistência à fragmentação e uma preferência por espaços relacionais compartilhados, nos quais a diferença não é separada, mas sim habitada".
Cada um desses grupos distintos, presentes nas organizações pesquisadas, desempenha seu próprio papel importante, afirma Pontillo.
As mulheres, presentes na maioria das organizações (59,6%), desempenham papéis centrais, particularmente na organização de relacionamentos — um trabalho que, em grande parte, passa despercebido e não é reconhecido. As pessoas trans, explicitamente presentes em apenas 22,4% dos grupos pesquisados, têm, no entanto, um impacto duradouro. O relatório afirmou: "[A presença de pessoas trans] força os grupos a questionarem a linguagem, os rituais, os corpos e as imagens de Deus, abrindo processos de mudança que afetam toda a comunidade, não apenas aqueles diretamente envolvidos. Nesse sentido, as pessoas transgênero atuam como verdadeiros reveladores eclesiais das tensões entre a vida vivida e as linguagens religiosas herdadas."
Mais da metade do grupo pesquisado (53,4%) era composta por pais católicos de filhos LGBTQ+, e a eles cabe o que Pontillo chama de "mediação eclesial": "Muitas vezes, desempenham a delicada tarefa de mediação eclesial: acompanham seus filhos e filhas LGBT+ em seus percursos de vida e, ao mesmo tempo, mantêm e reabrem canais de diálogo com a instituição eclesial, onde o confronto direto ainda é difícil ou repleto de conflitos. 'Eu te chamei pelo nome' (Is 43,1) torna-se uma prática diária para eles, para dar a conhecer seus filhos e filhas nas comunidades cristãs e ajudar as igrejas a reconhecê-los como parte integrante de seus corpos."
O impacto dos jovens também foi notado: o censo de 2025 identificou, pela primeira vez, cinco grupos formados exclusivamente por jovens católicos LGBTQ+. O trabalho desses jovens é energizado de maneira singular pelo desejo de serem reconhecidos e de promover uma fé vivida no presente.
Pontillo também observou que 58,6% dos grupos relatam ser acompanhados por pelo menos um agente pastoral e 34,5% dos grupos têm um relacionamento estável com uma paróquia, mostrando as diversas maneiras pelas quais a defesa dos direitos LGBTQ+ na Igreja Católica pode ocorrer tanto dentro quanto fora das estruturas eclesiais.
De modo geral, o levantamento dos grupos LGBTQ+ italianos revela um panorama de diversos dons, vocações e relacionamentos. Não se trata de um grupo homogêneo, nem de uma dispersão fragmentada de indivíduos. Em vez disso, existe uma rede que abrange diferentes faixas etárias e identidades, oferecendo diversos tipos de apoio a católicos LGBTQ+ e àqueles que os amam. Dessa forma, essas organizações católicas LGBTQ+ concretizam um dos maiores dons que a Igreja Católica tem a oferecer: o reconhecimento de que nossa unidade deriva da nossa diversidade.
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