Gases “esquecidos” respondem por 15% do aquecimento global

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19 Junho 2026

O terceiro maior contribuinte do aquecimento global é um grupo “esquecido” de gases que não entram nas contagens oficiais de gases de efeito estufa e não são mencionados em planos políticos para reduzi-los. Um estudo publicado na revista científica Science pede atenção do mundo para eles.

A informação é publicada por ClimaInfo, 18-06-2026.

Monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis (COVs) não metânicos são chamados de “gases de efeito estufa indiretos”. São gerados pela combustão de combustíveis fósseis ou liberados na atmosfera por produtos químicos industriais, explica o NewScientist.

Esses gases não retêm calor por si só. Mas, quando estão na atmosfera, reagem quimicamente com outros e formam gases que retêm calor, como o ozônio troposférico e de superfície. Junto com o carbono negro, que absorve calor, eles respondem por cerca de 15% do aquecimento global – ou quase 0,3°C, explicam Bloomberg e Folha.

“Os gases de efeito estufa indiretos passaram despercebidos”, disse Ilissa Ocko, autora principal do artigo. “Agora é o momento certo para chamar a atenção para essa questão e ver se podemos progredir e realmente enfrentar todos os principais fatores que impulsionam as mudanças climáticas”, completou.

Para Vaishali Naik, cientista física sênior do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Geofísicos da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), que não participou da análise, o desafio agora é medir com precisão os impactos climáticos de cada composto e onde ele foi emitido. Naik ecoou o apelo dos autores do estudo por mais pesquisas e uma melhor contabilização para orientar a formulação de políticas, “o que será desafiador no atual ambiente geopolítico”, reforçou.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deve publicar em 2027 um relatório que padronize os métodos de pesquisa para gases indiretos e outras substâncias que permanecem na atmosfera por menos de duas décadas, relatam Earth.com e Japan Times.

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