El Niño pode encarecer contas de luz e prejudicar agropecuária

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16 Junho 2026

Fenômeno acende alerta para Banco Central por possíveis impactos nos preços e, por consequência, na inflação brasileira.

A reportagem é publicada por Climainfo, 15-06-2026.

O El Niño já está em vigor e há 63% de chance que o fenômeno se torne muito forte no fim deste ano, projeta a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, sigla em Inglês). Com probabilidade de seca forte no Norte e no Nordeste, chuvas extremas no Sul e calor fora do comum no Centro-Oeste e no Sudeste, especialistas já fazem as contas sobre possíveis impactos na atividade econômica – e no bolso da população.

Dois segmentos com grande peso no cálculo do IPCA – o índice oficial de inflação do país – estão em alerta: o setor elétrico e o de alimentos. No primeiro, a geração hidrelétrica pode ser afetada negativamente pela seca, obrigando o acionamento de mais termelétricas a combustíveis fósseis e aumentando as contas de luz. No segundo, a irregularidade das chuvas ameaça o plantio da soja – a principal commodity agrícola brasileira – e até mesmo a produção leiteira. A pressão inflacionária, portanto, deve entrar no radar do Banco Central, influenciando decisões sobre cortes de juros, informa o Valor.

Os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste registraram entre 95% e 100% de capacidade nos últimos meses. No Sudeste e no Centro-Oeste, que concentram 70% do armazenamento hídrico do país, os níveis também se mantêm estáveis. Esse colchão, porém, pode criar uma percepção equivocada de segurança, destaca O Globo.

“Esse cenário não vai ter um efeito tão catastrófico em 2026. O grande problema fica para 2027. O El Niño deve queimar toda a reserva construída nesses últimos dois anos”, explica Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da consultoria especializada Nottus.

Nascimento destaca que o fenômeno tende a beneficiar as fontes eólica e solar, principalmente no Nordeste, informa O Globo. No entanto, há quase três anos as usinas da região estão com sua produção limitada por ordem do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), por conta de restrições na transmissão dessa eletricidade. Ou seja, o possível ganho energético pode não compensar a perda com a baixa dos reservatórios das hidrelétricas.

No setor agropecuário, produtores de café já estavam preocupados com os impactos do El Niño, mesmo com a projeção da maior safra da história no país. Agora, com o fenômeno confirmado, o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, prevê impactos tanto nos cultivos de inverno como no próximo ciclo agrícola, principalmente da soja.

Historicamente, o El Niño não apresenta uma relação direta com a produção total de leite. No entanto, especialistas alertam que seus efeitos sobre pastagens, disponibilidade de alimentos para o rebanho, sanidade animal e custos de produção podem influenciar significativamente o mercado nos próximos meses, informam CNN Brasil, Exame e Canal Rural.

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