10 Junho 2026
A emissões de carbono e os combustíveis fósseis estão em expansão, apesar dos inúmeros alertas de cientistas e de resoluções em encontros internacionais, mas a era da paciência infinita está chegando ao fim. O alerta é do vice gestor da Epwort Investiment e membro do Conselho de Finanças da Igreja Metodista da Grã-Bretanha, Andrew Harper. Num mundo assim configurado, é preciso incentivar o investidor religiosos e as próprias igrejas.
A informação é de Edelberto Behs, jornalista.
“Como investidores que priorizam a fé, temos, portanto, a responsabilidade de questionar se as instituições em que investimos estão ajudando a conduzir o mundo rumo a um futuro mais justo e sustentável, ou se estão contribuindo para adiar as mudanças que a ciência e a moral exigem cada vez mais”, defendeu em entrevista para o serviço de imprensa do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).
Sistemas financeiros moldam a vida humana, disse. “As finanças modernas ajudam a decidir o que é construído, o que se expande e como será a economia do futuro. O capital não é neutro”, assinalou. Ele lembrou que o sistema financeiro se acostumou bastante com a linguagem da sustentabilidade. “O verdadeiro teste é saber se essa linguagem ainda terá algum significado quando interesses comerciais genuínos estiverem em jogo”.
Durante anos, lembrou Harper, as grandes instituições financeiras têm falado a linguagem da responsabilidade climática. Publicaram planos, alianças, metas e compromissos. “No entanto, muitas continuam a financiar a expansão dos combustíveis fósseis, o que parece estar em total desacordo com as ambições climáticas que publicamente defendem”, apontou. Em algum momento, a gestão responsável precisa ir além da simples documentação de preocupações!
“Queremos uma análise séria sobre se os compromissos climáticos se refletem genuinamente nas decisões de financiamento, nas estruturas de governança e no comportamento institucional. Mas, de forma mais ampla, queremos questionar a premissa de que os mercados podem separar indefinidamente o lucro das consequências morais”, definiu Harper.
E admoestou: “Se os investidores só estiverem dispostos a se manifestar quando lhes for conveniente, seguro para sua reputação ou comercialmente vantajoso, o mercado continuará confundindo relações públicas com prestação de contas”.
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