"Tempos difíceis para os direitos humanos"

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26 Mai 2026

Guerras, direitos humanos violados, regras internacionais desrespeitadas. "É a consequência de tudo que de ruim foi semeado por líderes autoritários, predadores e valentões ao longo dos anos." A denúncia de um mundo "à beira do abismo" vem de Riccardo Noury, porta-voz da seção italiana da Anistia Internacional, que apresentou ontem, em Milão, o relatório da ONG sobre o estado global dos direitos humanos em 2026. "A erosão dos sistemas de proteção criados após a Segunda Guerra Mundial é cada vez mais evidente. O direito internacional dos direitos humanos está sendo atacado hoje não em suas margens, mas em seu próprio âmago. Para líderes poderosos como Putin, Trump e Netanyahu, já não vale mais."

A reportagem é de Alan Arrigoni, publicada por Avvenire, 22-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

O relatório da Anistia, que analisou mais de 140 países, revela um 2025 "sombrio", marcado por conflitos, crises humanitárias e repressões. Dos "crimes contra a humanidade cometidos pela Rússia na Ucrânia" ao "genocídio de Israel contra a população palestina de Gaza", passando pelos "crimes de direito internacional em Mianmar e no Sudão", afirma o documento. Nos primeiros meses de 2026, a situação não melhorou, com novos cenários de guerra agravando as crises em curso. "O genocídio em Gaza ainda está em curso", prosseguiu Noury. "Cidades ucranianas ainda estão sendo atacadas com drones e mísseis pelas forças russas.

No Sudão, as Nações Unidas identificaram indícios de genocídio." Até chegar os ataques dos EUA ordenados por Donald Trump, "contra os Estados soberanos da Venezuela e do Irã" e o alarme humanitário em Cuba. "A Anistia Internacional vem denunciando há décadas que as sanções estadunidenses violam flagrantemente os direitos econômicos e sociais da população cubana, e estamos reafirmando essa convicção com toda força agora que esse estrangulamento está acontecendo."

O porta-voz da Anistia Internacional Itália também aponta o dedo para a União Europeia, "que está traindo completamente seus valores fundadores" e "se comportando de forma fraca com os fortes e forte com os fracos". Não apenas em relação às escolhas de política externa, acusada de "dois pesos e duas medidas", mas também em termos de gestão dos fluxos migratórios. "A UE já está praticamente implementando uma política anti-imigração que tornará impermeáveis as fronteiras. E, com a falta de recursos para o socorro, é responsável por milhares de mortes no mar."

Mas nem tudo está perdido, segundo Noury: restaurar os direitos humanos violados e o direito internacional é possível. Existem duas saídas. "A primeira é aquela das pessoas. Quando podem ir às ruas e quando podem votar, está nas suas mãos, especialmente com a segunda opção, decidir quais são as políticas de governo, antes mesmo de quem governa." O segundo caminho envolve as ações dos Estados que "respeitam o direito internacional, atacados por um punhado de países", com "a maioria que se comporta bem". Exemplos disso são "Espanha, Eslovênia e Bélgica", que "pedem, por exemplo, a suspensão do acordo de associação entre a União Europeia e Israel". Assim como os Estados "que se comprometem a respeitar as suas obrigações de cooperar com o Tribunal Penal Internacional, prendendo pessoas procuradas nos seus territórios."

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