Turquia desafia os EUA: flotilha e assembleia em Gaza

Foto: Anadolu Ajansi

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12 Mai 2026

Marmaris, apesar dos avisos dos EUA e de Israel, sediará a reunião para decidir o futuro da missão. Estamos navegando para nordeste, não é a rota para Gaza, o sol se pôs à esquerda e esta manhã não estará à nossa frente.

A reportagem é de Alessandro Mantovani publicada por il Fatto Quotidiano, 09-05-2026. A tradução de Luisa Rabolini

Estamos navegando ao longo da costa no escuro, atentos aos drones, a ilha de Karpathos mais uma vez em águas gregas, depois também veremos Rodes. Deveríamos chegar a Marmaris, na Turquia, durante a tarde de, sábado, 9 de maio. Já avistaram um avião da Marinha Turca sobrevoando a Flotilha; não é hostil. Estamos navegando como uma frota, com o navio de apoio e socorro Open Arms ao centro. O Arctic Sunrise, do Greenpeace, deixou a frota ontem de manhã devido a outros empenhos que já haviam sido tomados e, portanto, não pode continuar. Após o ataque a oeste de Creta, a Flotilha não possui mais nenhuma embarcação a motor rápida, útil para emergências de grande ou pequena escala.

As 34 embarcações "sobreviventes" partiram ontem de manhã de Ierapetra, em Creta; outras cinco da Global Sumud zarparam da Grécia continental e estão navegando mais ao norte, assim como as quatro da histórica Freedom Flotilla Coalition, que acompanharam a costa norte de Creta. Pelo menos outras 11 embarcações aguardam na Turquia, onde será realizada uma grande assembleia geral para decidir se e como prosseguir em direção a Gaza.

A organização está determinada a continuar, apesar dos riscos de novos e mais pesados ataques israelenses após aqueles que eliminaram 22 barcos na noite entre 29 e 30 de abril, quando a Marinha de Tel Aviv chegou ao Mediterrâneo central para atacar uma frota de pessoas desarmadas, uma manifestação não violenta em meio ao mar. E, além disso, temos Thiago e Saif, os reféns, Thiago Ávila e Saif Abukeshek, os dois líderes da Flotilha deportados para Israel, submetidos a interrogatórios duríssimos no centro de detenção de Shikma, gerido em parte pelos serviços secretos.

No domingo, dia 10, comparecerão novamente perante um juiz para uma eventual nova prorrogação de sua detenção ou talvez para a formalização das acusações. Até lá, a Flotilha não tomará nenhuma decisão. Ontem, a carta de Ávila, trazida da prisão pelo consulado brasileiro, chegou aos chats: "Meus caros companheiros, soube hoje que vocês estão seguindo para Gaza, estou orgulhoso de vocês, sejam sempre não violentos." Certamente não se partirá para Gaza antes de 13 de maio, o que permitiria chegar lá em 15, aniversário da Nakba, a expulsão dos palestinos em 1948.

Na Turquia — uma potência colonial, o segundo maior exército da OTAN e um regime questionável — a Flotilha busca refúgio. O empenho das organizações e militantes turcos nas tentativas de chegar a Gaza por mar têm uma longa história, quase tão antiga quanto o bloqueio naval diante da Faixa: eram turcos os 10 ativistas mortos no sangrento ataque israelense ao navio Mavi Marmara em 2010; eram os turcos, antes dos espanhóis e dos italianos, os mais numerosos na Flotilha Global Sumud 2025 (e talvez também neste ano, mas não temos os números completos). Ao acolher a Flotilha em Marmaris, onde os barcos devem permanecer ancorados sem entrar no porto, o governo do conservador islamita Recep Tayyip Erdogan está violando o pedido dos Estados Unidos, feito a pedido de Israel, para não facilitar ou abrir portos à Flotilha. Aceitou apenas uma "escala técnica", perfil discreto e nenhuma manifestação pública num país onde a causa palestina é profundamente sentida. Fundos significativos foram angariados para a Flotilha na Turquia novamente este ano, e a missão é sustentada por cerca de uma centena de organizações laicas e religiosas, ou seja, muçulmanas.

No Comitê Diretivo da Flotilha Global Sumud está Sümeyra Akdeniz Ordu, uma professora que vive na Alemanha e está na linha de frente do planejamento das operações. Ela não é particularmente próxima do governo turco, assim como Hüseyin Dişli, também membro do conselho diretivo global, um advogado experiente que mantém contato com as autoridades de Ancara. Há também elementos mais ligados ao establishment turco, talvez mais forte no passado: hoje, seria difícil realizar um encontro internacional da Flotilha em Istambul, como foi em outubro de 2025, após a primeira missão. Na prisão israelense de Keziot, durante sua breve permanência após a primeira Global Sumud, em outubro passado, encontramos Hakan, um militar turco aposentado, que nos contou ter "lutado contra os terroristas curdos do PKK na década de 1990". Na Flotilha também estão aqueles que se manifestaram em apoio ao PKK naqueles anos — como Abdullah Öcalan, traído pela Itália em 1998. Mas também há ativistas da esquerda turca. É uma delegação mais diversificada do que outras: "Sou muçulmano, digamos até mesmo conservador, ligado aos valores da família, mas não é um problema o fato de ter homossexuais aqui. O Alcorão não diz a ninguém como deve viver", nos dizia há alguns dias Hakan, de 36 anos, em Ierapetra. Ele nasceu na Turquia, mas emigrou para a Alemanha ainda bebê, onde trabalha na empresa familiar que vende produtos agrícolas no atacado em Frankfurt. "Por um tempo", continuou o Hakan mais jovem, "cheguei a ser membro do partido de Angela Merkel, mas quando o novo chanceler Merz chegou, eu saí." É claro que também chegam pessoas das ocupações ilegais da Alemanha. A Flotilha é assim.

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