15 Abril 2026
A concentração de poder tecnológico, econômico ou militar ameaça a democracia e a harmonia internacional, é a mensagem do Papa à Pontifícia Academia de Ciências Sociais por ocasião da abertura da assembleia plenária.
A informação é publicada por Religión Digital, 1-04-2026.
O Papa Leão XIV alertou que a concentração de poder tecnológico, econômico ou militar ameaça a democracia e a harmonia internacional, segundo mensagem dirigida à Pontifícia Academia de Ciências Sociais e divulgada na terça-feira.
"A concentração do poder tecnológico, econômico e militar em poucas mãos ameaça tanto a participação democrática dos povos quanto a harmonia internacional", afirmou.
O Papa, atualmente em viagem apostólica à África, escreveu uma carta datada de 1º de abril para a abertura da sessão plenária da Academia de Ciências Sociais, na qual reflete sobre o exercício do poder como um "elemento crucial" na busca da paz mundial.
Nesse sentido, Leão XIV explica que a doutrina social da Igreja e o catecismo consideram o poder "não como um fim em si mesmo, mas como um meio ordenado ao bem comum".
“Isso implica que a legitimidade da autoridade não depende da acumulação de poder econômico ou tecnológico, mas da sabedoria e da virtude com que é exercida”, argumenta ele. Por essa razão, o Papa apontou a “justiça”, a “fortaleza” e a “temperança” como atitudes “essenciais” para o exercício legítimo da autoridade e para o combate à “autoexaltação” e ao “abuso de poder”. Essa compreensão do poder legítimo, em sua visão, encontra uma de suas “expressões mais elevadas” na democracia “autêntica”, que convoca cada cidadão a buscar responsavelmente o bem comum. Essa reflexão permite ao Papa aludir a riscos potenciais, como o que ele chama de “tirania da maioria”.
"A democracia só se mantém saudável quando está enraizada na lei moral e numa visão verdadeira da pessoa humana. Sem esse fundamento, corre o risco de se tornar uma tirania da maioria ou uma máscara para a dominação das elites econômicas e tecnológicas", argumenta ele.
Leão XIV argumenta que os mesmos princípios que devem orientar o exercício da autoridade nos países devem orientar a ordem internacional, "num momento em que rivalidades estratégicas e alianças em transformação" estão a modificar as relações globais.
"Devemos lembrar que uma ordem internacional justa e estável não pode surgir unicamente de um equilíbrio de poder ou de uma lógica puramente tecnocrática. A concentração do poder tecnológico, econômico e militar nas mãos de poucos ameaça tanto a participação democrática dos povos quanto a harmonia internacional", alerta ele.
O pontífice, recentemente atacado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, por seus apelos à paz, acompanha com grande atenção o desenvolvimento da tecnologia e seu impacto no mundo moderno.
Tanto que escolheu seu nome pontifício para suceder Leão XII (1878-1903), o papa da Revolução Industrial e autor, entre muitas outras obras, da influente encíclica Rerum Novarum (1891), pioneira na abordagem do aspecto social da doutrina católica e da democracia.
Nota do IHU
A íntegra da mensagem do Papa Leão XIV à Pontifícia Academia das Ciências Sociais pode ser lida aqui.
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