14 Abril 2026
"As sugestões oferecidas por Johannes W. Vutz são certamente compartilháveis: a teologia deve abrir caminho humilde e seriamente onde já existem percursos humanos de pesquisa, junto a perguntas e inquietações que indicam um certo caminho metafísico ou espiritual, mesmo que não seja explicitamente chamado assim ou reconhecido como tal. Rahner falava disso, anos atrás, como uma mistagogia da vida cotidiana que ajuda as pessoas a descobrir a presença e a obra escondida de Deus nos anseios, nos compromissos e nas batalhas de cada dia. Em muitos desses anseios, frequentemente conectados a temáticas antropológicas e sociais, existe já uma abertura ao Evangelho, ainda que implícita. A teologia deve fazer-se fermento dentro dessa massa."
O artigo é de Francesco Cosentino, docente de Teologia Fundamental na Pontifícia Universidade Lateranense, publicado em Settimana News, 12-04-2026.
Eis o artigo.
A reflexão oferecida neste site por Johannes W. Vutz sobre a erosão do interesse e dos leitores pela teologia merece atenção — não tanto pelo apelo à situação de indiferença ao problema de Deus e de "apatismo", diagnóstico amplamente compartilhado pela teologia das últimas décadas, mas pelos horizontes e possibilidades que vislumbra de forma propositiva: para que a teologia reconquiste um espaço credível e confiável no debate público e, ainda mais, ao longo dos caminhos de pesquisa e de vida de muitos de nossos contemporâneos.
Sobre o desaparecimento de Deus
O diagnóstico — como eu dizia — é conhecido, ainda que seja útil recordá-lo para não correr o risco de "olhar para o dedo em vez de para a lua", captando apenas aspectos parciais ou secundários de uma problemática mais ampla e geral, com o resultado de que mesmo as propostas apresentadas como resposta acabam sendo aproximativas ou até inadequadas.
É certo que, há décadas, boa parte da reflexão teológico-fundamental interessada em aprofundar o vínculo entre a fé cristã e o contexto cultural concorda sobre o "desaparecimento" de Deus do horizonte de vida de nossos contemporâneos e de nossas sociedades marcadas pelo secularismo. Martin Buber já falava há muito tempo de "eclipse de Deus", quase ecoando o grito da "morte de Deus" que Nietzsche coloca na boca do homem louco; Henri de Lubac denunciava que nossa época perdeu tristemente "o gosto de Deus".
No mundo evangélico, encontro sempre de extraordinária e pungente atualidade a provocação de Paul Tillich: "A mensagem cristã (especialmente a pregação cristã) ainda é relevante para as pessoas de nosso tempo? E se não for, qual é a causa? E isso se reflete na própria mensagem do cristianismo?" Com acentos e nuances diferentes, as análises convergem: após a euforia da modernidade e o advento da pós-modernidade, a própria questão de Deus tornou-se irrelevante e entramos em uma era que é até definida como pós-cristã.
Diante da grosseira tentativa de suavizar a crise — talvez por preguiça ou medo de mexer no aparato eclesial e pastoral existente — a teologia nos forneceu nos últimos anos leituras realistas e radicais da realidade presente: a crise não diz mais respeito a algum aspecto da vida cristã ou da prática religiosa, mas tornou-se "crise de Deus", afirmava Metz. Em tempos relativamente mais recentes, o teólogo holandês Houtepen falou do esquecimento de Deus, da própria pergunta sobre Deus tendo chegado ao esquecimento. E podem-se recordar, ao mesmo tempo, as numerosas reflexões sobre o possível fim do cristianismo: no final dos anos 1970 Delumeau se fazia essa pergunta, enquanto é destas semanas a instigante reflexão de Werbick.
Sobre o recomeçar a crer
O problema, portanto, não são as análises. Ao contrário, para querer recordar o Papa Francisco com sua Evangelii gaudium, temos até um excesso diagnóstico ao qual nem sempre seguem respostas adequadas.
Justamente neste contexto, parece-me útil evocar a questão dos chamados ricomincianti — os que "recomeçam a crer". Trata-se de pessoas que, por vários motivos, abandonaram a fé e a prática religiosa há vários anos, talvez desde jovens, e hoje de alguma forma retornam, reaparecem nos limiares do crer por meio de percursos pessoais ou comunitários diversificados, e muitos deles pedem para ser batizados. O fenômeno, que no início parecia relegado ao contexto francês, já está emergindo em diversas zonas da Europa, bem como nos Estados Unidos; e se na França, na Vigília Pascal deste ano, foram cerca de 21 mil os novos batizados (dos quais 13 mil adultos), também a diocese de Milão registra uma tendência positiva desde 2023.
A questão merece um discernimento atento tanto do ponto de vista teológico-espiritual quanto no versante eclesial-pastoral; é preciso olhar sempre com atenção e profundidade para os percursos de conversão, lê-los a partir dos contextos de vida e dos eclesiais de referência em que acontecem, avaliar suas ambivalências e riscos. Em geral, não se devem tirar conclusões precipitadas, ingenuamente otimistas demais, criando um novo álibi para não se interrogar sobre a crise do cristianismo.
Todavia, o recomeçar a crer de muitos — que está interrogando as Igrejas diretamente envolvidas e interpela a todos nós quanto aos percursos de acompanhamento de tais processos — representa certamente uma brecha. O postulado do secularismo sobre o fim das religiões, assim como a certeza de algumas análises sobre o desaparecimento de Deus, precisam ao menos ser revistos e relidos, talvez olhados sob uma luz diferente.
Muitas vezes, alguns de nossos contemporâneos se afastaram da fé por representações distorcidas de Deus ou por experiências eclesiais negativas; outros ainda por razões pessoais. E, no entanto, muitas dessas pessoas não se tornaram simplesmente ateias. Como afirma Tomáš Halík, alguns dos que se afastaram tomaram distância dos caminhos tradicionais do crer e de suas formas institucionais, mas frequentemente permaneceram em busca espiritual. Por isso, ele afirma que "a resposta à pergunta sobre quem é 'crente' e quem é 'não crente' é muito mais complexa do que pode parecer à primeira vista... Explorar essa paisagem e ambientar-se nela será a tarefa da Igreja".
A urgência de uma teologia kerigmática
Nesse contexto, as sugestões oferecidas por Johannes W. Vutz são certamente compartilháveis: a teologia deve abrir caminho humilde e seriamente onde já existem percursos humanos de pesquisa, junto a perguntas e inquietações que indicam um certo caminho metafísico ou espiritual, mesmo que não seja explicitamente chamado assim ou reconhecido como tal. Rahner falava disso, anos atrás, como uma mistagogia da vida cotidiana que ajuda as pessoas a descobrir a presença e a obra escondida de Deus nos anseios, nos compromissos e nas batalhas de cada dia. Em muitos desses anseios, frequentemente conectados a temáticas antropológicas e sociais, existe já uma abertura ao Evangelho, ainda que implícita. A teologia deve fazer-se fermento dentro dessa massa.
Ao mesmo tempo, porém, se precisamos de novo aprender a falar teologicamente em um contexto de indiferença religiosa, como justamente afirma Vutz, precisamos também de uma teologia que volte a estar a serviço do kerigma. O contexto cultural notavelmente mudado, que não mais sustenta a transmissão da fé, exige também uma teologia que, além de mesclar-se com os percursos humanos e "laicos" já em curso no debate público, seja também capaz de trazer à luz, nesses percursos, a beleza e o significado do Evangelho, os mapas e os horizontes que ele poderia oferecer. Uma teologia que se imerge anonimamente nos percursos já iniciados sem, no entanto, permanecer anônima e incolor. Uma teologia que sai do círculo vicioso de sua própria autorreferência exercendo a sério a tarefa de mediação — não apenas intelectual, mas também afetiva e existencial — entre a cultura e a fé, entre os anseios e os percursos humanos e a proposta do cristianismo, entre as aspirações laicas e sociais e a novidade do Evangelho.
Para levar a sério a teologia, quem persegue seus próprios percursos de pesquisa e de empenho na sociedade — assim como quem se coloca alguma pergunta espiritual a mais, como os ricomincianti — precisa descobrir que ela não é uma argumentação abstrata e abstrusas, compreensível apenas pelos especialistas; na teologia, eles devem poder de alguma forma saborear a beleza da mensagem cristã e a pertinência antropológica da fé. Eles devem poder farejar nela traços do Mistério de Deus para descobrir que a relação com Ele não retira vigor às humanas aspirações, pessoais e coletivas, mas pode inseri-las em um horizonte ainda maior. Eles devem poder sentir no gosto da linguagem e no proceder teológico que a fé cristã não é uma fria adesão a uma doutrina sem vida, mas é a proposta de um mundo novo e de um homem novo a partir daquele Deus que se manifestou em Jesus Cristo, cujo olhar sobre o mundo e sobre o homem pode verdadeiramente transformar nosso modo de ver a vida e de construir a história.
Justamente em um contexto marcado de forma ambivalente pelo desaparecimento de Deus e por quem volta a buscá-Lo — desaparecidas todas as condições "religiosas" da cristandade — é preciso uma teologia cujo rigor científico e acadêmico não permaneça fechado em si mesmo, mas esteja a serviço do anúncio do kerigma.
Não há necessidade urgente também disto, de uma teologia capaz de fazer emergir o núcleo essencial do anúncio cristão, interrogando-se sobre os novos modelos antropológicos e culturais, sobre os contextos atuais, sobre as linguagens da fé a renovar, sobre as formas do crer e as práticas eclesiais a transformar?
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