Cemaden alerta para risco de “desastre térmico” no Brasil com El Niño

Foto: RawPixel

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06 Abril 2026

Fenômeno provocará ondas de calor, seca e impactos no bolso da população, sobretudo pela alta na conta energia e no preço dos alimentos.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 05-04-2026. 

Modelos meteorológicos em todo o mundo confirmaram a chegada de um El Niño neste ano, provavelmente no segundo semestre, mas podendo ocorrer antes. A dimensão do fenômeno, porém, ainda é incerta. Alguns especialistas indicam a chance de um super El Niño, o que amplia a possibilidade de eventos climáticos extremos.

Ainda não há confirmação de que o El Niño de 2026 será superpoderoso. No entanto, entre todos os desastres esperados, o único garantido é o térmico, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). E este será sentido em todo o Brasil, com grande intensidade no Sudeste e no Centro-Oeste, informa O Globo.

O calor, já nas alturas, virá com tudo na segunda metade do ano impulsionado pelo fenômeno. Com isso, 2026 poderá superar 2024 como o ano mais quente da história recente, adverte José Marengo, um dos climatologistas mais respeitados do mundo e um dos autores de uma nota técnica enviada à Casa Civil pelo Cemaden sobre os impactos do fenômeno.

Há 80% de chance de um El Niño se estabelecer no segundo semestre, diz Marengo. Se ele será moderado, forte ou muito forte ainda não se sabe. “Vai acontecer, será muito quente e vamos sentir mais a partir de setembro. Mais que isso, é especulação”, afirma o climatologista.

De modo geral, o El Niño costuma diminuir as chuvas no Norte e aumentá-las no Sul. No Sudeste e no Centro-Oeste, as ondas de calor se tornam mais frequentes, normalmente acompanhadas de baixa umidade, diz a nota do Cemaden.

Vale notar, porém, que o El Niño de 2024 não foi classificado como muito forte. Mas teve efeitos devastadores – como a seca histórica na Amazônia e as chuvas extremas que atingiram o Rio Grande do Sul por quase um mês – porque a Terra está mais quente do que nunca. Ou seja, o fenômeno foi potencializado pelas mudanças climáticas. O calor será intenso e garantido porque o aumento das temperaturas com o El Niño se dá em um planeta mais quente, desmatado e emitindo mais gases de efeito estufa com a queima de combustíveis fósseis, agravando ainda mais o ciclo.

Marengo reforça que o calor é um assassino invisível e silencioso. Quando extremo e prolongado, seus efeitos sobre a saúde são extensos. Agrava doenças, reduz a produtividade, mata plantações, causa incêndios, mata animais. Pior do que os picos de temperatura máxima, enfatiza, é a longa duração dos períodos quentes.

Além da saúde, o calor extremo também afetará o bolso dos brasileiros. Há aumento do consumo elétrico pelo maior acionamento de aparelhos para conforto térmico, como o ar-condicionado. O custo dos alimentos também sobe porque o calor constante, somado a extremos de seca e chuva, reduz a produtividade e leva à escassez de produtos, sobretudo de hortifrutigranjeiros.

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