FMI alerta que petróleo e alimentos vão frear crescimento econômico global

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01 Abril 2026

Análise deveria servir de alerta aos EUA sobre as consequências duradouras da guerra no Oriente Médio para todos os países de todos os continentes.

A informação é publicada por ClimaInfo, 31-03-2026. 

A guerra imposta por EUA e Israel ao Irã impacta desigualmente os países, mas “todos os caminhos levam a preços mais altos e crescimento mais lento em todo o mundo”, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI). A entidade afirma que o aumento nos custos da energia e dos alimentos prejudicará o crescimento econômico deste ano e poderá deixar cicatrizes duradouras na economia global. Mais uma prova de que não há qualquer segurança, seja energética ou política, nos combustíveis fósseis.

A análise do FMI frisa que países de todos os continentes serão afetados caso o conflito no Oriente Médio continue a restringir o fluxo de petróleo, gás fóssil e fertilizantes provenientes do Golfo Pérsico. O alerta foi divulgado poucas horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou destruir a infraestrutura energética do Irã caso o país não concordasse com um acordo de paz. Por isso, segundo o Guardian, a mensagem provavelmente será vista como um alerta à Casa Branca sobre as consequências duradouras da guerra para famílias em dificuldades – como se isso importasse para o “agente laranja”.

Países da Ásia e da Europa que são grandes importadores de petróleo e gás estão sofrendo o impacto do aumento dos preços dos combustíveis e dos custos de produção. Na Europa, informam Independent e Telegraph, o Reino Unido e a Itália são particularmente afetados por dependerem de eletricidade a gás, enquanto a França e a Espanha estão mais protegidas pelo maior uso de energia nuclear e de fontes renováveis, relata o FMI. Além disso, as empresas europeias têm hoje menor capacidade para mitigar os impactos financeiros do conflito no Oriente Médio do que na invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, com o Reino Unido exposto a taxas de juros mais altas, destaca o The Times.

Embora alguns países exportadores líquidos de petróleo e gás, como os EUA, ganhem com a alta dos combustíveis fósseis, o aumento nas contas de gasolina, diesel e alimentos prejudicará o padrão de vida, diz a análise. Prevê-se também que as empresas sofrerão pressão para aumentar os preços, o que poderá forçar os bancos centrais a elevar as taxas de juros para combater a inflação.

O FMI também destaca as crescentes preocupações com o aumento dos preços dos alimentos devido à interrupção dos embarques de fertilizantes do Oriente Médio. “A interrupção do fornecimento de nutrientes para as plantações ocorre justamente quando começa a época de plantio no Hemisfério Norte, ameaçando as safras e as colheitas ao longo do ano e elevando os preços dos alimentos.” E os países mais vulneráveis ​​”suportarão o fardo mais pesado”, com as pessoas em países de baixa renda gastando uma proporção maior de seus rendimentos em alimentos.

A guerra de Trump contra o Irã e sua pressão para aumentar a exploração de petróleo e gás demonstram a “perigosa volatilidade” da era dos combustíveis fósseis. Críticos afirmam que o presidente está se apegando a sistemas energéticos do século 20, mesmo que sua “aposta” em petróleo e gás “não esteja indo tão bem”, reforça o Guardian.

Mas o “agente laranja” não só mantém sua visão tosca como dobra a aposta na energia suja, cara e instável dos combustíveis fósseis. Segundo a Reuters, um comitê de altos funcionários do governo Trump votou na 3ª feira (31/3) pela isenção da aplicação de regras de proteção a espécies ameaçadas de extinção à indústria de petróleo e gás do Golfo do México. A decisão – a primeira do tipo em mais de três décadas – é o esforço mais recente de Trump para desmantelar leis ambientais.

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