No Irã, os Pasdaran defendem a bomba nuclear: "Seria uma garantia de segurança"

Foto: Emanuel Kypreos/Unsplash

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27 Março 2026

Após duas guerras em poucos meses e com a morte de Ali Khamenei, autor da fatwa que proibiu as armas nucleares, as vozes a favor das armas nucleares estão se intensificando no campo conservador.

A reportagem é de Gabriella Colarusso, publicada por La Repubblica, 27-03-2026.

A guerra pode levar o Irã a revisar sua doutrina nuclear, após o assassinato do Líder Supremo Ali Khamenei, que havia proibido o desenvolvimento de armas nucleares por serem proibidas pelo Islã e contrárias ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual Teerã é signatário. Com o ataque EUA-Israel, no entanto, vozes dentro da hierarquia militar iraniana têm clamado cada vez mais por dissuasão nuclear. Nenhuma decisão foi tomada, a doutrina não foi alterada, mas o debate se intensificou, como confirmaram à Reuters duas fontes iranianas de alto escalão.

Quem está defendendo uma nova doutrina?

A pressão para a aquisição da arma reside nos elementos mais radicais da Guarda Revolucionária, agora considerada o verdadeiro poder em Teerã após o assassinato de inúmeros líderes políticos e da velha guarda de comandantes militares. "A política nuclear tem sido tema de discussões privadas em círculos governamentais", com "divergências entre os elementos mais linha-dura, incluindo a Guarda Revolucionária, e aqueles na hierarquia política sobre a adequação de tal medida", relata a Reuters.

"Parece imperativo que o Irã se retire do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), visto que a adesão ao tratado não lhe trouxe quaisquer benefícios no uso pacífico da energia nuclear", argumenta a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), em um editorial não assinado publicado em seu site. "A adesão ao tratado não só não trouxe ao Irã quaisquer benefícios em termos de acesso à energia nuclear para fins pacíficos, como também facilitou as atividades de espionagem israelenses e americanas contra o Irã. Inimigos sabotaram repetidamente as instalações nucleares pacíficas do Irã usando informações da Agência Internacional de Energia Atômica e, ainda mais ultrajante, as bombardearam."

Uma nova forma de dissuasão

Já após a guerra em junho passado, várias vozes se levantaram no Irã pedindo uma revisão da doutrina nuclear. "No Irã, acreditamos que o novo líder deve revogar a fatwa do aiatolá Ali Khamenei que proíbe a produção de armas nucleares. Somente um único teste nuclear e uma declaração pública de que o país se tornará uma potência nuclear podem garantir permanentemente a segurança territorial do Irã. Diante de uma ameaça nuclear de Israel, precisamos tomar uma decisão histórica", disse Abdolreza Davari, assessor do ex-presidente Ahmadinejad e comentarista próximo ao meio conservador, ao jornal Repubblica.

Outro político ultraconservador, Mohammad Javad Larijani, irmão de Ali Larijani, que foi morto durante esta guerra, declarou que o Irã também deveria reconsiderar sua adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear:

"Deveria ser suspenso. Deveríamos criar uma comissão para avaliar se é realmente útil para nós. Se provar ser útil, voltaremos a aderir. Caso contrário, que mantenham." Durante o longo regime de Ali Khamenei, o Irã reiterou consistentemente seu desejo de manter seu programa nuclear apenas para fins civis, mas também enriqueceu urânio a uma porcentagem, 60%, muito próxima dos 90% necessários para construir uma arma nuclear. O bombardeio americano de instalações nucleares iranianas prejudicou gravemente o programa, mas Teerã possui o conhecimento e as capacidades para reiniciá-lo. Para os mais radicais, as duas guerras americano-israelenses contra o Irã demonstraram que a própria ausência de um poder de dissuasão nuclear expôs o país a ataques. Segundo a Reuters, “com as mortes de Khamenei e Ali Larijani, que, de acordo com a fonte, também se opuseram aos linha-dura, tornou-se mais difícil refutar os argumentos mais intransigentes”.

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