Os Estados Unidos perderão a guerra contra o Irã? Comentário de Jiang Xueqin

Foto: Wikimedia Commons

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05 Março 2026

"Se os Estados do Golfo deixarem de conseguir vender petróleo e também deixarem de financiar essa bolha impulsionada pela inteligência artificial nos Estados Unidos, essa bolha poderá estourar e, com ela, potencialmente a economia estadunidense como um todo. Isso se assemelha a um esquema financeiro do tipo Ponzi", comenta Jiang Xueqin, teórico geopolítico, em entrevista concedida ao canal estadunidense Breaking Points, 03-03-2026.

Eis o comentário.

O que está acontecendo neste momento é uma guerra de atrito entre os Estados Unidos e o Irã. Os iranianos vêm se preparando para esse conflito há 20 anos.

O Irã está travando uma guerra contra toda a economia global. Está atacando os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Está mirando infraestruturas energéticas críticas. Bloqueou o Estreito de Ormuz e poderá eventualmente atingir as usinas de dessalinização de água, que são a base vital dessas nações, pois não dispõem de fontes naturais de água doce. Os iranianos estão, de fato, ameaçando a própria existência da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar.

Isso é relevante porque os Estados do Golfo constituem um pilar da economia americana. Eles comercializam petróleo em petrodólares e reciclam esses recursos para a economia americana por meio de investimentos no mercado de ações. Atualmente, sabe-se que grande parte da economia de mercado está sendo sustentada por investimentos em inteligência artificial, especialmente em data centers, e uma parcela significativa desse capital provém dos Estados do Golfo.

Assim, se os Estados do Golfo deixarem de conseguir vender petróleo e também deixarem de financiar essa bolha impulsionada pela inteligência artificial nos Estados Unidos, essa bolha poderá estourar e, com ela, potencialmente a economia estadunidense como um todo. Isso se assemelha a um esquema financeiro do tipo Ponzi (pirâmide).

Comentário sobre a tecnologia militar dos Estados Unidos

As Forças Armadas dos Estados Unidos não foram concebidas para combater uma guerra do século XXI. O complexo industrial-militar surgiu após a Segunda Guerra Mundial e foi estruturado para enfrentar a Guerra Fria. A Guerra Fria foi, em grande medida, uma demonstração de força, incluindo a corrida para colocar o primeiro ser humano na Lua. Como resultado, toda a estratégia militar americana gira em torno de tecnologias altamente sofisticadas e extremamente dispendiosas.

Isso se reflete no sistema de defesa aérea dos Estados Unidos e ajuda a explicar a assimetria observada nesse conflito no qual mísseis que custam milhões de dólares são empregados para interceptar drones avaliados em 50 mil dólares. Esse modelo não é sustentável no longo prazo. O que se pode estar presenciando é o enfraquecimento da aura de invencibilidade que sustentou a hegemonia americana nos últimos vinte anos.

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