25 Fevereiro 2026
"A função primordial da Quaresma é o despertar da nossa consciência: cada um de nós é pecador, cai em pecado todos os dias e, portanto, deve reconhecer-se como criatura frágil, muitas vezes incapaz de responder ao Senhor vivendo segundo a Sua vontade. Um cristão não pode se sentir justo, não pode se considerar saudável, caso contrário, fica impedido o encontro e a comunhão com Jesus Cristo, o Senhor, que veio para os pecadores e os doentes, não para aqueles que se consideram não necessitados (cf. Mc 2,17)", escreve Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado por Famiglia Cristiana, 22-02-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Iniciamos a Quaresma — que a Igreja ousadamente chama de "sacramento" ("annua quadragesimalis exercitia sacramenti": oração do primeiro domingo da Quaresma), isto é, uma realidade vivenciada para participar do mistério — um tempo "forte", marcado por intenso empenho espiritual, para reunir todas as nossas energias em busca de uma transformação em nosso pensar, falar e agir, um retorno ao Senhor de quem nos afastamos, cedendo constantemente ao mal que nos seduz.
A função primordial da Quaresma é o despertar da nossa consciência: cada um de nós é pecador, cai em pecado todos os dias e, portanto, deve reconhecer-se como criatura frágil, muitas vezes incapaz de responder ao Senhor vivendo segundo a Sua vontade. Um cristão não pode se sentir justo, não pode se considerar saudável, caso contrário, fica impedido o encontro e a comunhão com Jesus Cristo, o Senhor, que veio para os pecadores e os doentes, não para aqueles que se consideram não necessitados (cf. Mc 2,17). Com o Apóstolo, o cristão deveria dizer: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1,15). Assim, reconhecer o próprio pecado é o primeiro passo para viver a Quaresma, e os padres do deserto advertiram com razão: “Aquele que confessa o seu pecado é maior do que aquele que faz milagres e ressuscita um morto”.
A jornada quaresmal começa com essa consciência, e por isso recebemos as cinzas sobre a cabeça, com as palavras que expressam o seu significado: “Tu és um homem que, tirado da terra, volta à terra; arrepende-te, pois, e crê na boa nova do Evangelho de Cristo!”.
Dessa forma, se vive um gesto material, uma palavra absolutamente essencial para a nossa identidade e o nosso chamado.
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