Marco Rubio telefona a Parolin após as críticas de Roma à detenção de Maduro

Foto: Wikimedia Commons

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07 Janeiro 2026

O secretário de Estado norte-americano conversou ontem com seu homólogo vaticano, depois que o embaixador dos EUA em Roma quis “reinterpretar” as palavras do Papa durante o Angelus. “Os dois líderes conversaram sobre desafios prementes, que incluem iniciativas para melhorar a situação humanitária, em particular na Venezuela, bem como promover a paz e a liberdade religiosa em nível mundial”, assinala o Departamento de Estado.

A informação é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 07-01-2025. 

“Sigo com grande preocupação a evolução da situação na Venezuela.” O Papa Leão XIV manifestou seu pesar pela intervenção norte-americana na Venezuela, que resultou na detenção (ou sequestro) de Nicolás Maduro e de sua esposa, e na “tutela” do país por parte de Donald Trump, com consequências ainda por definir e possíveis repercussões na Colômbia, no México… ou na Groenlândia, que preocupam o mundo.

Talvez por isso, o secretário de Estado dos EUA e responsável pelo ataque ordenado por Donald Trump, Marco Rubio, telefonou ontem ao secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, para “explicar” ao chefe da diplomacia da Santa Sé (bom conhecedor da realidade venezuelana) a situação após a operação militar ordenada por Trump.

Conforme informa o Departamento de Estado dos Estados Unidos, “o secretário de Estado Marco Rubio falou hoje [por ontem] com Sua Eminência o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé”.

“Os dois líderes conversaram sobre desafios prementes, que incluem iniciativas para melhorar a situação humanitária, em particular na Venezuela, assim como promover a paz e a liberdade religiosa em nível mundial”, acrescenta a nota, que conclui insistindo que Rubio e Parolin “reafirmaram seu compromisso de aprofundar a cooperação entre os Estados Unidos e a Santa Sé para enfrentar prioridades comuns em todo o mundo”.

A ligação ocorre depois de a Embaixada dos EUA junto à Santa Sé ter tentado “explicar” as palavras de Leão XIV no Angelus do último domingo, no qual afirmou que “o bem do amado povo venezuelano — afirmou — deve prevalecer acima de qualquer outra consideração e levar à superação da violência e ao início de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país, assegurando o Estado de Direito inscrito na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de todos e de cada um, e trabalhando para construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem em razão da difícil situação econômica”.

No entanto, a delegação norte-americana, liderada pelo “MAGABrian Burch, ignorou as referências papais ao fim da violência, ao respeito à soberania e à Constituição do país e destacou apenas as palavras de Prevost “rezando pela paz na Venezuela” e instando a um futuro baseado na “cooperação, estabilidade e harmonia”, o que implicitamente enquadrava as palavras de Leão como um apoio à política de Trump. Algo que provocou a lógica indignação da Santa Sé e a ligação de Rubio a Parolin para tentar “apagar” um novo incêndio na diplomacia norte-americana.

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