07 Outubro 2025
“Pelo bem das nossas crianças, precisamos agir”. Este é o escopo da reunião de Alto Nível da Comissão dos Direitos Humanos da ONU, por ocasião do Dia Internacional da Paz, 22 de setembro. Trata-se de um apelo “ao imperativo ético de defender as crianças na guerra”.
A informação é de Edelberto Behs.
A campanha “Levante-se pelas Crianças em Guerra” reporta-se a uma dura realidade: 473 milhões de crianças em todo o mundo vivem hoje em zonas de conflito e 48,8 milhões foram deslocadas. Em 2024, a ONU documentou e verificou 41,3 mil violações graves de direitos contra crianças, o maior número registrado nos últimos 25 anos. A campanha tem o apoio de 268 organizações parceiras da sociedade civil.
Florence Raymonde J. Gaspar compartilhou declaração especial em nome do Escritório da ONU sobre Crianças e Conflitos Armados. “Defender as crianças na guerra é mais urgente do que nunca. As crianças pagam o preço mais alto nas guerras”, disse.
“As palavras não conseguem captar o que significa para uma criança inocente morrer na guerra. As consequências atravessam gerações”, lembrou no encontro o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor Dr. Jerry Pillay.
A infância, aponta o documento tirado do encontro, é uma jornada de crescimento, identidade e pertencimento. “Quando uma criança é forçada a fugir, a enterrar um dos pais ou a suportar fome ou ferimentos, essa jornada é interrompida”. E isso num contexto de transformação de alimentos em armas, colapso do sistema de saúde, disseminação de doenças, aprendizagem interrompida, casamento precoce, fragmentação da comunidade.
Pillay considera perturbador e trágico que não se aprende com o passado. “Muitos dos problemas que vemos no mundo são motivados por interesses políticos e econômicos. Nossa tarefa não é apenas proteger as crianças, mas sustentar o futuro”, frisou.
As organizações parceiras pedem, pois, um imediato e incondicional cessar-fogo em todas as zonas de conflito, instando todas as partes a priorizarem o diálogo e a resolução pacífica, e a tomada de medidas urgentes para a proteção de crianças e civis.
Leia mais
- Relatório da ONU denuncia violações a crianças em áreas de conflito
- No mundo, a infância é negada a uma criança em cada três, constata relatório de Save the Children
- Pior que minas terrestres, bombas de fragmentação condenam o presente e o futuro de inocentes. Entrevista especial com Cristian Wittmann
- Save the Children: 357 milhões de crianças em zonas de guerra. A Síria é o país onde as consequências são piores
- Save the Children: em 5 anos triplicou o número de menores migrantes desacompanhados
- Guerra na Ucrânia e deportação de crianças: 300.000 foram arrancadas de seus pais
- Migrações, 30 milhões de crianças deslocadas no mundo por causa dos conflitos: é o número mais alto desde a Segunda Guerra Mundial
- Iêmen, 85.000 crianças morreram de fome desde o início do conflito
- República Centro-Africana. “Estão decapitando homens e crianças”, denuncia o bispo de Bangassou
- Papa: "As crianças sírias convidam as crianças de todo o mundo para juntarem-se a elas em oração pela paz"
- Diário de guerra (40). As crianças. Artigo de Riccardo Cristiano
- Zuppi lê os nomes de 12 mil crianças israelenses e palestinas assassinadas em Monte Sole
- Zuppi lê os 12 mil nomes das jovens vítimas israelenses e palestinas. "Toda criança é inocente"
- "Vou ler os nomes das crianças mortas em Gaza e em Israel. Trump e Putin? A Ucrânia não é um objeto". Entrevista com Matteo Zuppi
- Na Síria, 7,5 milhões de crianças precisam de ajuda humanitária
- Israel matou 2% da população infantil de Gaza, em média, uma criança a cada hora
- A infância em Gaza enfrenta um futuro marcado pelo trauma do genocídio
- Síria. Idlib, pobreza e sonhos desfeitos: como é difícil ser criança
- Gaza. 13 mil pessoas mortas, das quais 5.500 são crianças
- O Papa: 150 inocentes metralhados. O que as crianças têm a ver com a guerra?
- Sudão em guerra: 13 milhões de crianças sem escola enfrentam risco de abuso sexual e recrutamento no conflito