Quem herdará o bolsonarismo após condenação do STF por trama golpista

Foto: Marcos Brandão | Senado Federal

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22 Setembro 2025

Cientistas políticos citam Tarcísio, Flávio Bolsonaro, Michelle e o próprio ex-presidente como possíveis apostas para as eleições de 2026.

A reportagem é de Herculano Barreto Filho, publicada por Agenda do poder, 22-09-2025

A herança da onda conservadora na política brasileira após a condenação de Jair Bolsonaro e de outros sete réus na ação da trama golpista no STF ainda é uma incógnita.

Cientistas políticos ouvidos pela Agenda do Poder traçam cenários possíveis para a continuidade do bolsonarismo com foco nas eleições presidenciais de 2026 mesmo sem o principal personagem da extrema direita.

“O bolsonarismo não é algo passageiro, é algo que está no cotidiano das pessoas, com uma militância ativa. E, sem a figura do Bolsonaro, existe uma ideia de fortalecimento de um nome alternativo”, afirma Paulo Baía, sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.

Embora tenha afirmado que pretende se candidatar à reeleição em São Paulo durante uma coletiva na última quarta-feira (17) em Araçatuba (SP), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) desponta como um dos principais herdeiros do bolsonarismo.

Apesar do “despiste”, Mayra Goulart, professora do departamento de Ciência Política da UFRJ, vê em Tarcísio um nome de consenso, capaz de fisgar o voto de eleitores de oposição ao governo Lula.

“Ainda que tenha se mostrado radicalizado nos últimos tempos em virtude do apoio ao Bolsonaro, o Tarcísio parece ser o nome capaz de recuperar essas pontes com as elites políticas tradicionais pela capacidade de buscar uma aproximação com a direita moderada e até com a imprensa, que costuma ser atacada pelo bolsonarismo”, diz.

O cientista político e professor da Uerj Geraldo Tadeu MonteiroTarcísio como o nome capaz de atenuar a polarização política no país. “Isso ocorreria com a tentativa de construção da imagem de um Tarcísio realizador, com discurso de sujeito preparado e estadista. O bolsonarismo é um movimento ideológico e pragmático, que vai para onde o vento estiver soprando”.

Embora também veja Tarcísio como o sucessor provável do bolsonarismo, o sociólogo José Cláudio Souza Alves, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), não acredita em uma unidade da direita para as eleições presidenciais de 2026.

“A direita pode não ser capaz de juntar os cacos com uma nova conjectura. O Tarcísio está jogando para a arquibancada, falando em anistia e adotando uma postura identificada com o bolsonarismo. Mas o momento é de dúvida entre apostar em um Tarcísio mais radical ou investir em outro candidato”, afirma José Cláudio Souza Alves.

Ele cita outros políticos como apostas para o pleito, como o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSD), o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o governador do Paraná Ratinho Jr (PSD).

Bolsonaro nas urnas?

O cientista político e professor da UFRJ Josué Medeiros traça um outro possível cenário para 2026. Para o especialista, que coordena o Observatório Político Eleitoral, o próprio Jair Bolsonaro pode optar pela manutenção da candidatura, apesar da condenação.

“O Tarcísio só concorre se tiver apoio do Bolsonaro e trégua com os filhos dele. Só que nada indica que são cenários possíveis”, avalia.

Josué Medeiros entende ainda que Tarcísio não é um nome forte, já que seria conhecido apenas em São Paulo.

Para ele, o clã entende que manter o sobrenome nas urnas é sinal de manutenção do protagonismo. “É a única forma de manter Bolsonaro como a principal liderança da extrema direita”, diz.

Caso se confirme a impossibilidade de colocar o nome do ex-presidente nas urnas, o cientista político vê apenas dois possíveis candidatos na família: a aposta na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ou na ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, já que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) pode ser cassado e se inviabilizou devido à articulação de sanções nos EUA.

"O Flávio leva vantagem por circular melhor na elite política, já que os partidos tradicionais têm simpatia por ele. A Michelle tem como ponto positivo o carisma e por conseguir fazer apelo entre as mulheres", afirma Josué Medeiros, cientista político.

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