"Trump trapaceia até no golfe; os europeus não podem confiar nele". Entrevista com Gilles Gressani

Foto: Shealah Craighead/Flickr

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19 Agosto 2025

O editor da revista Le Grand Continent: "A Ucrânia não pode se sentir protegida por garantias que dependem exclusivamente da palavra dada por dois líderes como o magnata e Putin."

Para Gilles Gressani, editor da revista geopolítica Le Grand Continent, a foto dos sete líderes do Velho Continente na Casa Branca com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky marca uma virada: "A Europa, se unida, importa. Pode pôr fim ao flerte entre Donald Trump e Vladimir Putin e conter o risco de uma traição definitiva da Ucrânia."

A entrevista é de Serena Riformato, publicada por La Repubblica, 19-08-2025.

Eis a entrevista.

Os europeus podem confiar no presidente dos EUA?

Estamos falando de um homem que trapaceia em torneios que organiza em seus próprios campos de golfe. A única coisa em que devemos confiar é na capacidade de nossas sociedades se unirem diante de uma potencial ameaça existencial.

Então você vê o risco de o magnata fazer os sete acreditarem que têm algo a dizer sobre o assunto e depois fazer o que ele quer?

Não somos espectadores. Neste jogo, duas narrativas muito poderosas se opõem. De um lado, o reality show diário de Donald Trump, uma espécie de "O Aprendiz na Casa Branca". Do outro, o romance russo de Putin e sua propaganda: uma narrativa completamente irrealista, segundo a qual a Rússia está vencendo a guerra e quer a paz. Uma narrativa falsa, mas que se infiltra nas fissuras de nossas sociedades e cria raízes. O problema para os europeus é não cair nessa armadilha narrativa e se apegar a um senso de realidade.

O presidente francês e o primeiro-ministro italiano têm opiniões diferentes sobre as negociações: Macron parece até agora mais cético após a reunião entre Trump e Putin.

Desde o encontro bilateral no Palazzo Chigi, houve uma redefinição na relação entre os dois líderes. Macron e Meloni seguem duas linhas políticas simétricas que sempre permanecerão divergentes, mas França e Itália têm interesses estratégicos claros, incluindo impedir que a Ucrânia veja sua soberania decapitada pela Rússia. Essa convergência factual, que transcende suas posições políticas, pode ser compreendida por meio de um paradoxo: temos certeza de que Meloni, caso fosse líder da oposição, teria apoiado uma iniciativa como a que promoveu como primeira-ministra?

A discordância mais clara é sobre a possibilidade de envolvimento militar direto. Macron insiste. Meloni continua descartando essa possibilidade. É inevitável? "Vamos sair do reality show. Como a Ucrânia pode se sentir protegida por garantias que dependem exclusivamente da palavra de dois líderes como Trump e Putin?"

Fala-se de um mecanismo inspirado no Artigo 5 da OTAN para fornecer garantias de segurança. Não seria suficiente?

Mais uma vez, estamos quebrando o padrão. Trump apresentou a abertura da Rússia às garantias de segurança para Kiev, no estilo do Artigo 5, como uma grande concessão, mas, na realidade, essa já era a opção que emergiu nas negociações de Istambul de 2022. As negociações estagnaram porque Moscou exigiu que qualquer intervenção fosse condicionada a uma decisão unânime de todos os garantidores (incluindo China, Rússia e Belarus), efetivamente um veto que tornaria as garantias ineficazes. Putin poderia alcançar diplomaticamente o que não conseguiu alcançar militarmente.

Macron e Merz insistiram na necessidade de um cessar-fogo antes da cúpula trilateral. Trump discorda. As negociações podem prosseguir sem interromper o fornecimento de armas?

Entre os líderes europeus presentes hoje em Washington, Merz foi um dos mais resolutos em afirmar posições que buscam ter efeitos reais no mundo real.

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