#corvo. Artigo de Gianfranco Ravasi

Corvos (Foto: Wikimedia Commons)

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17 Julho 2024

"O radicalismo ideológico religioso ou político bebe em teorias mortas e esqueléticas, como o fundamentalismo, ou em certos clichês considerados verdades absolutas, mas que, na verdade, são apenas histerias mentais. Como corvos, muitos se aglomeram sobre essas carniças ideológicas, alimentando-se de falsidades, de fake news e de corrupção, tornando-se eles mesmos morte e fonte da morte", escreve Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 14-07-2024. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

Uma ideia morta produz mais fanatismo do que uma ideia viva; ou melhor, apenas a morta o produz. Pois os estúpidos, assim como os corvos, sentem apenas o cheiro das coisas mortas.

Foi seu "diário público": foi assim que seu autor, Leonardo Sciascia (1921-1989), definiu Negro sobre negro (1979), do qual extraímos essa consideração dura, mas verdadeira, especialmente agora que experimentamos as violências geradas pelas "ideias mortas" do terrorismo religioso ou do fanatismo político e social. Assim como existe em muitos uma atração satânica pela perversão, uma espécie de gosto macabro por tudo o que é corrupto, sujo e infame, também existem pensamentos "podres" que inspiram emoções, paixões e exaltações insanas.

O radicalismo ideológico religioso ou político bebe em teorias mortas e esqueléticas, como o fundamentalismo, ou em certos clichês considerados verdades absolutas, mas que, na verdade, são apenas histerias mentais. Como corvos, muitos se aglomeram sobre essas carniças ideológicas, alimentando-se de falsidades, de fake news e de corrupção, tornando-se eles mesmos morte e fonte da morte. Sempre vale a triste advertência divina proclamada pelo profeta Jeremias, que também pode se aplicar à rejeição da verdade autêntica e pura: "A mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas fendidas, que já não retêm águas" (2,13). E o grande dramaturgo alemão Johann C. Friedrich Schiller, em sua tragédia romântica A donzela de Orleans (1801), concluía amargamente: "Contra a estupidez, os próprios deuses lutam em vão".

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