Clima extremo: onda de calor pode ter matado mais de 500 no Paquistão

Foto: Celso Castro Júnior | Flickr

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01 Julho 2024

Calor intenso por vários dias interrompeu vida normal no país, especialmente na cidade de Karachi, no sul, onde médicos trataram milhares de vítimas de insolação.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 01-07-2024.

Capital comercial do Paquistão, a cidade de Karachi, no sul paquistanês, registrou quase 600 mortos em meio a uma onda de calor que atingiu o país no final de junho. A agência de resgate Edhi Foundation relatou ter recebido 568 corpos na cidade em cinco dias até 25 de junho, em comparação com uma média de 40 corpos por dia. O governo local, porém, disse que apenas 13 mortes foram provocadas pelas altas temperaturas, informa a Bloomberg.

Ainda que ainda não se possa precisar a causa das mortes, o aumento no número de óbitos ocorreu justamente quando as temperaturas em Karachi subiram acima de 40°C, com a alta umidade fazendo parecer que estava 49°C, segundo relatos. E houve também aumento de pessoas nos hospitais.

O Hospital Civil de Karachi admitiu 267 pessoas com insolação entre domingo e quarta-feira da semana passada, disse o Dr. Imran Sarwar Sheikh, chefe do departamento de emergência. Doze delas morreram. Mais de 1.500 vítimas de insolação foram tratadas em outros hospitais da cidade, relata a ABC.

“A maioria das pessoas que vimos chegando ao hospital tinha entre 60 e 70 anos, embora houvesse algumas em torno de 45 anos e até um casal na casa dos 20,” disse Sheikh à BBC.

O clima do Paquistão está esquentando muito mais rápido do que a média global, com um aumento potencial de 1,3°C a 4,9°C até a década de 2090 em relação à linha de base de 1986–2005, segundo um painel de especialistas em mudanças climáticas do Banco Mundial. O país, que é um dos mais vulneráveis do mundo à crise do clima, também enfrenta o risco de chuvas de monções mais intensas, em parte devido aos seus imensos glaciares no norte, que estão derretendo com o aumento das temperaturas. O ar mais quente pode reter mais umidade, intensificando as monções.

The Independent, LA Times e WION também repercutiram a onda de calor no Paquistão.

Em tempo: O calor pode colocar atletas em perigo durante as Olimpíadas de Paris, que começam no dia 26 de julho, mostra o relatório “Rings of Fire“, feito por pesquisadores britânicos, com a colaboração de atletas e ex-atletas olímpicos de 11 países, informam Globo Esporte, CBN e Terra. O estudo alerta sobre os riscos de competir em condições climáticas extremas, incluindo desidratação, exaustão, insolação e até a morte. A cidade-sede dos Jogos registrou picos de temperatura de mais de 40°C no ano passado, e a previsão não é diferente para este verão europeu. O relatório estudou a variação climática em Paris desde as últimas Olimpíadas na cidade, há 100 anos. A temperatura média no período dos Jogos de 2024, entre 26 de julho e 11 de agosto, deve ser 3,1°C mais quente do que a última edição olímpica de Paris.

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