Inundações no Paquistão e seca na China: é o verão infernal da Ásia

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30 Agosto 2022

 

Islamabad pede ajuda ao mundo: mais de mil mortos desde junho, um milhão de casas danificadas ou destruídas pela fúria dos rios transbordando que estão causando desastres no Paquistão. A seca e o verão mais quente dos chineses desde 1961 que secou o Rio Azul, fechou fábricas e causou o racionamento de energia, mergulhando o Dragão de volta no pesadelo do blackout.

 

Picos acima de 50 graus na Índia, os lagos cambojanos cada vez mais áridos, os campos de arroz vietnamitas cada vez mais vazios. Todo o continente sufoca, afoga-se e permanece no escuro, vítima das alterações climáticas que aqui estão mostrando os seus efeitos mais devastadores. É o verão infernal da Ásia.

 

A reportagem é de Gianluca Modolo, publicada por La Repubblica, 29-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Quem implora ajuda ao mundo nos últimos dias é o Paquistão, debaixo d'água. "Um pequeno oceano parece ter crescido em algumas áreas do país", disse o primeiro-ministro Shehbaz Sharif. As chuvas ameaçam engolir até um terço do país até o final da estação das monções. "Desastre humanitário de proporções épicas", diz o governo, "uma catástrofe climática". E ele acusa: “Estamos sofrendo as consequências de práticas ambientais irresponsáveis realizadas em outras partes do mundo”.

 

Mapa do Paquistão (Foto: Brasil Escola)

 

Estadas, pontes e casas varridas pela fúria dos rios que transbordam. O número de mortos desde junho já chegou a 1.061, entre os quais 348 crianças. Quase um milhão de casas danificadas ou destruídas. Oitenta mil hectares de lavouras devastadas. Meio milhão de pessoas agora vivem em tendas improvisadas; 3.400 quilômetros de estradas e 157 pontes destruídas.

 

"É a monção mais monstruosa da década", diz a ministra do clima. Muitas comunidades nas regiões montanhosas do norte ainda permanecem isoladas. Em Swat, os voluntários trazem as crianças para um local seguro usando estrados de cama e carregando-as em roldanas improvisadas. No país, que já enfrenta uma crise econômica devastadora, começam a chegar as primeiras ajudas humanitárias, principalmente da Turquia e dos Emirados Árabes Unidos. Hoje o Fundo Monetário Internacional se reunirá em Washington para aprovar a retomada de um programa de empréstimos de US$ 6 bilhões, mas já está claro que o Paquistão precisará de mais para reconstruir um país devastado.

 

Rios secos e falta de energia estão atingindo a China, que há 70 dias enfrenta seu verão mais tórrido: em algumas áreas o termômetro chegou a 44 graus. As florestas ao redor da megalópole de Chongqing estão queimando. O Rio Azul, que leva água para 400 milhões de chineses, em muitos pontos agora está reduzido a uma extensão árida. A energia é racionada: até os prédios no icônico Bund de Xangai reduzem as luzes. O epicentro da crise é Sichuan, que produz 80% de sua energia a partir da água: 30% de toda a energia hidrelétrica da China vem daqui. Por vários dias as fábricas permaneceram fechadas, embora a situação esteja voltando lentamente à normalidade. Depois da seca, porém, vem o alerta das enchentes.

 

A parte sudoeste da China, que sofreu com temperaturas escaldantes este mês, está agora em alerta pelas chuvas torrenciais que continuarão pelo menos até amanhã. Chongqing e as áreas vizinhas da província de Sichuan são afetadas: aquelas que mais sofreram com a seca nas últimas semanas. Mais de 100.000 pessoas foram evacuadas hoje em toda a província. "As ondas de calor fizeram o solo secar e rachar, aumentando o risco de desastres naturais em caso de chuva", escrevem os jornais chineses. É o verão infernal da Ásia.

 

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