Vozes e mortos no deserto. Artigo de Tonio Dell'Olio

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18 Junho 2024

"Isso também aconteceu nos últimos dias, quando cerca de cinquenta sudaneses encontraram a morte no deserto entre o Sudão e o Egito. O termômetro ultrapassava os 50 graus e muitos não conseguiram sobreviver à insolação e ao calor. Eles estavam fugindo daquela guerra sangrenta que há um ano mantém as populações do Sudão num cerco infernal. O número agora é estimado em 10 milhões de pessoas deslocadas no país e 2 milhões que cruzaram as fronteiras", escreve Tonio Dell’Olio, padre, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 16-06-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Ficar acostumados com a morte faz com que deixemos de considerar como “noticiável” a morte no mar de pessoas migrantes. Imaginem quando a morte atinge refugiados, migrantes e pessoas deslocadas num deserto.

Isso também aconteceu nos últimos dias, quando cerca de cinquenta sudaneses encontraram a morte no deserto entre o Sudão e o Egito. O termômetro ultrapassava os 50 graus e muitos não conseguiram sobreviver à insolação e ao calor. Eles estavam fugindo daquela guerra sangrenta que há um ano mantém as populações do Sudão num cerco infernal. O número agora é estimado em 10 milhões de pessoas deslocadas no país e 2 milhões que cruzaram as fronteiras.

Em abril passado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou que o número de sudaneses registados nos seus escritórios no Egito quintuplicou desde o início do conflito no seu país, com uma média diária entre 2.000 e 3.000 refugiados e requerentes de asilo vindos do Sudão. O êxodo de refugiados e migrantes não é um fenômeno que diz respeito apenas ao Mediterrâneo e à Itália, é um problema global causado por guerras, fome e direitos negados. Se esses fatores não acontecessem, hoje não seríamos uma voz no deserto da indiferença e das portas fechadas da cara da dor.

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