Papa Francisco e a solidão de um artista

Foto: Felipe Furtado | Unsplash

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22 Fevereiro 2024

O cantor e compositor Hughes Aufray é bem conhecido em sua França natal por realizar provavelmente as melhores interpretações em francês da música de Bob Dylan. Mas ele também teve uma série de sucessos próprios, como "Le Petite Âne gris", uma música sobre um pequeno burro cinza que remonta a 1968 e permanece como uma das peças mais duradouras no repertório pop francês, especialmente entre as crianças em acampamentos de verão.

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix International, 19-02-2024. 

56 anos depois, e agora com 94, o envelhecido Aufray levou seu violão ao Vaticano e tocou sua famosa música durante uma reunião privada em 15 de fevereiro com o Papa Francisco. Ele fazia parte de um grupo maior, "Diaconie de la Beauté", associação francesa fundada em 2012 para promover o diálogo entre a Igreja e artistas de todos os tipos, incluindo pintores, escultores, músicos, poetas e outros. Com sua eterna cabeleira branca, vestido com um casaco e suéter preto, Aufray trouxe de volta à vida o pequeno burro cinza que morre no final da música.

Aqui está a letra livremente traduzida:

Crianças inconsoláveis, não chorem mais por favor
Em um modesto estábulo, seu burro retornou
Nesta noite de Natal, adorem o menino nu
Aconchegado em sua manjedoura o pequeno Jesus
Aconchegado em sua manjedoura o pequeno Jesus

Aufrey adicionou estes versos à música original há apenas dez anos... "para as crianças", disse ele. "Foi um gesto cristão", ele ousou chamar em uma entrevista em 2020 com o jornal francês Ouest-France. Durante seu miniconcerto no Palácio Apostólico, lá estava Francisco no outro lado da sala. Ele estava ouvindo atentamente e parecia emocionado. Estaria ele pensando no breve discurso que daria ao grupo alguns minutos depois?

"A vida de um artista muitas vezes é marcada pela solidão, às vezes pela depressão e grande sofrimento interno", disse-lhes Francisco, evocando palavras semelhantes que usou em meados de janeiro durante uma entrevista em um popular programa de televisão italiano. "Quando se trata de tomar decisões, há o preço da solidão que você deve pagar", ele disse naquela ocasião. É uma solidão que não é apenas o destino dos artistas, mas também daqueles que exercem autoridade. A solidão de um papa.

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