#Perguntas. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: mohamed abdelghaffar | Pexels

Mais Lidos

  • “Meu pai espiritual, Santo Agostinho": o Papa Leão XIV, um ano depois. Artigo de Carlos Eduardo Sell

    LER MAIS
  • A mineração de terras raras tem o potencial de ampliar a perda da cobertura vegetal nas áreas mineradas, além de aumentar a poluição por metais tóxicos e elementos químicos radioativos que são encontrados associados às terras raras, afirma o pesquisador da UFRGS

    Exploração de terras raras no RS: projeto põe recursos naturais em risco e viabiliza catástrofes. Entrevista especial com Joel Henrique Ellwanger

    LER MAIS
  • EUA e Irã: perto de um acordo? O que se sabe sobre as negociações nos bastidores para pôr fim à guerra?

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

16 Janeiro 2024

"Esse é o pecado que a poetisa confessa por seu dia vazio, e é o que nem sequer é percebido por quem deixa passar dias e dias como se fossem apenas grãos áridos de areia na ampulheta do tempo, sem nunca os tornar uma semente que escorre das mãos e fecunda a terra", escreve o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, em artigo publicado em Il Sole 24 Ore, 14-01-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Ontem me comportei mal no universo. Vivi o dia inteiro sem indagar nada, sem estranhar nada.

Quando recebeu o Prêmio Nobel em 1996, poucos haviam lido alguma poesia da polonesa Wislawa Szymborska, que morreu com quase noventa anos em 2012. No entanto, os seus versos, por vezes melancólicos, muitas vezes irônicos, simples e, no entanto, muitas vezes vertiginosos, poderiam se tornar - para usar uma imagem bíblica (Eclesiastes 12,11) - "como aguilhões e como pregos bem afixados" no cérebro, no coração e na alma do leitor. O mesmo acontece com as palavras que citamos. Lançam uma estocada contra uma doença muito difundida nos nossos dias, que pode receber várias denominações: indiferença, superficialidade, vazio, banalidade, inconsciência, vulgaridade.

É precisamente “viver o dia inteiro” sem um sobressalto do espírito ou da consciência, sem o estímulo de uma pergunta (uma das primeiras coletâneas poéticas de Szymborska intitulava-se Perguntas dirigidas a si mesma), sem um pingo de assombro, sem a emoção de um sentimento profundo.

Outro escritor famoso, o inglês Gilbert K. Chesterton, não hesitava em declarar que “a humanidade perecerá não por falta de maravilhas, mas por falta de admiração”.

Esse é o pecado que a poetisa confessa por seu dia vazio, e é o que nem sequer é percebido por quem deixa passar dias e dias como se fossem apenas grãos áridos de areia na ampulheta do tempo, sem nunca os tornar uma semente que escorre das mãos e fecunda a terra.

Leia mais