O desafio da Universidade de Belém: “Realizar o nosso sonho de paz”

Foto: Anadolu Ajansi

Mais Lidos

  • Pio X e a “participação ativa”: a diferença sagrada entre celebrar e presidir. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

    “O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

    LER MAIS
  • Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Janeiro 2024

“A paz é fruto da justiça. Mas agora, é evidente, não é o momento para a paz entre Israel e Autoridade Nacional Palestina," constata amargamente em seu gabinete na Universidade de Belém o vice-reitor, Padre Iyad Twal. As festas de Natal estão prestes a terminar, mas na segunda-feira dos cerca de 3.200 estudantes aparecerão bem poucos para frequentar a universidade fundada pelos Irmãos das escolas cristãs, mantida pela Fundação La Salle (Focsiv). Esse é um dos projetos apoiados pela maratona rádio-televisiva “Ouse a paz. Apoie a esperança" que termina hoje na Tv2000 e Rádio Inblu 2000.

A reportagem é de Luca Geronico, publicada por Avvenire, 06-01-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

A Universidade Católica de Belém, o primeiro instituto de ensino superior aberto na Cisjordânia em 1973, continuará a ter aulas online. “Muito difícil e perigoso se deslocar com todos os pontos de controle. Eu vim porque, estudando na Faculdade de Ciências, às vezes preciso dos laboratórios. E felizmente moro perto”, explica Nádia. O nome é fictício porque os 15 estudantes presos pela polícia israelense impõem a prudência. A foto de Khaled Muhtaseh colocada num quadro de avisos, depois de ter sido morto em Jerusalém Oriental em circunstâncias pouco claras, demonstra como a guerra também entrou com prepotência na vida desses jovens palestinos.

“Lutamos para manter viva a nossa esperança. Mas acreditamos num futuro de justiça: a paz não virá sozinha”, confidencia essa jovem de 21 anos de olhar suave. As universidades, especialmente aquelas islâmicas e aquelas mantidas pela UNRWA (a agência da ONU para os refugiados palestinos), desde a primeira Intifada foram um dos terrenos mais férteis para a propagação do extremismo do Hamas.

Por essa razão, propiciar educação aos jovens palestinos é uma tarefa ainda maior neste momento delicado: abrir perspectivas para o futuro e formar uma consciência cívica e política longe de radicalismo e violência.

“Antes do dia 7 de outubro – continua o vice-reitor, padre Iyad Twal – vivíamos embalados pelo sonho dos ‘Dois povos e dois Estados’, enquanto nos esquecíamos da realidade relativa à questão israelense-palestina. A realidade é que nutrimos o fundamentalismo em ambos os lados."

Um processo de paz que deveria ter começado com os Acordos de Oslo assinados em 1993, mas que encalhou na indiferença internacional quase total durante mais de uma década. “Estamos como perdidos, não há mais um sonho e faltam líderes capazes de indicar objetivos futuros...". É a admissão do fracasso de uma geração. E por isso que a missão educativa de uma universidade mantida com bolsas de estudo para mais de 90% dos estudantes, é estratégica: “Não há uma visão política unitária entre nós, palestinos, enquanto há uma visão clara do direito de viver em paz."

Como realizar esse sonho, pergunta-se o Padre Twal? “Por meio da educação: ter a honestidade de estudar e compreender bem e objetivamente a nossa situação social e política. Vejo nesses jovens a possibilidade de alcançar no futuro o objetivo da paz que não temos hoje, para não dizer abertamente que a minha geração falhou." Um sonho de paz, a ser deixado em legado para as gerações futuras.

Leia mais