O cardeal Müller chama Francisco de “herege” em entrevista posteriormente apagada

Foto: Karen Callaway | CNS

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11 Novembro 2023

Para o cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller, o Papa Francisco está cometendo "muitas heresias materiais". Ele fez esse pronunciamento em uma entrevista ao portal norte-americano LifeSiteNews, que costuma de como porta-voz das vozes que questionam repetidamente o pontífice argentino. O ex-prefeito para a Doutrina da Fé intensifica suas críticas ao Bispo de Roma em entrevista que, horas após sua publicação nesta quarta-feira, desapareceu temporariamente do site.

A reportagem é de José Beltran, publicada por Vida Nueva, 09-11-2023. 

No entanto, a publicação digital da Igreja alemã, Katholish.de, mantém o conteúdo integral das reflexões de Müller. Para o cardeal alemão, "ele já proferiu muitas heresias materiais" ou de prática, mas não incorreu no que é conhecido como "heresias formais", então, por enquanto, não poderia perder seu cargo de pontífice. No entanto, ele adverte que "ensinar contra a fé apostólica privaria automaticamente o Papa de seu cargo".

"Materialmente incorreto"

Dentro deste contexto de clemência púrpura alemã e com um tom pedagógico, ele explica que enquanto uma heresia material se refere a algo "materialmente incorreto" sobre uma verdade de fé, mas ignorando que o seja, enquanto a heresia formal virá acompanhada de uma "vontade pessoal", ou seja, quando alguém crê ou expõe algo contrário à fé, sabendo que o é. Para ilustrar, ele faz referência à condenação do Papa Honório, que viveu no século VII, e de João XXII, que liderou a Igreja no século XIV.

"No Sínodo, onde muitos esperam ou temem que agora se apresentem as 'bênçãos' homossexuais, escrever uma carta pública para essas organizações [LGBT], recebê-las, posar para fotos com elas... Isso é algo muito claro", denuncia Müller, que certifica: "É uma heresia material. Por que ele não recebeu neste momento um pai, uma mãe e seus cinco filhos? Não há fotos disso". O próprio Müller se fotografou na Assembleia Sinodal com o jesuíta James Martin, conhecido por ser o principal defensor nos Estados Unidos de uma pastoral de acolhimento à diversidade sexual.

Um caso limite

O cardeal vai além e lança suas críticas contra seu sucessor na Doutrina da , o cardeal Víctor Manuel Fernández, por abrir a porta à comunhão para divorciados que se casaram novamente. Para Müller, esse fato seria um caso "limite" de heresia formal. Nessa mesma linha, o cardeal aponta, segundo ele, que as mudanças "modernas" desejadas na Igreja sempre são introduzidas através da "via pastoral" e não por meio do ensino direto de uma heresia formal.

Na entrevista, Müller chega até mesmo a flertar com os rumores de que a eleição de Francisco na Capela Sistina não teria sido válida: "É difícil julgar [se a eleição foi inválida], mas no fim ele foi claramente eleito pela maioria e, afinal, não houve objeção qualificada ao procedimento", insinua Müller ao LifeSiteNews. "E mesmo que houvesse deficiências... elas simplesmente foram sanadas de fato pelo exercício [do cargo]", desculpa-se logo em seguida. "Mesmo que alguém contestasse isso agora, seria um desastre enorme", aponta. "Seria ainda pior do que temos agora". E é que, se a eleição papal fosse ilegítima e, portanto, a autoridade de Jorge Mario Bergoglio também o seria, sua criação posterior como cardeal também não seria legítima, considerando ainda que foi um dos primeiros cardeais nomeados por Francisco.

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