31 Agosto 2023
A nova declaração sobre justiça social da Conferência Episcopal Australiana é publicada em um ano importante para os aborígenes e para os habitantes das ilhas do Estreito de Torres. Em 2023, de fato, um referendo será realizado para reconhecer a voz dos povos indígenas no Parlamento. Os bispos convidaram os católicos australianos para um novo engajamento com os Primeiros Povos, a fim de superar a injustiça juntos através do amor, que é o cerne da mensagem de Jesus.
A reportagem é de Beatrice D’Ascenzi, publicada por Vatican News, 08-2023.
56 anos após o reconhecimento dos aborígenes como cidadãos, a Austrália é convocada a votar em um novo referendo histórico este ano. Os australianos devem decidir se modificam sua Constituição para incluir um artigo que dê uma "voz" à população aborígine nacional na formulação de políticas governamentais. A Conferência Episcopal Australiana, em sua declaração sobre justiça social para os aborígenes de 2023 - embora não queira influenciar de forma alguma o voto dos cidadãos - pediu por um "novo compromisso" para colocar a Igreja "na vanguarda de uma nova era na vida pública australiana".
A Igreja e os povos nativos: uma abordagem sinodal
A declaração dos bispos, intitulada "Ouvir, Aprender, Amar: Um Novo Compromisso com os Povos Aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torres", foi fortemente inspirada pelo caminho sinodal em andamento na Igreja. Segundo o que foi afirmado durante a apresentação da declaração por Dom Vincent Long, bispo de Parramatta: "Ouvir e aprender também é uma parte essencial da abordagem sinodal que o Santo Padre nos está convidando a abraçar, e buscamos manter isso em mente enquanto escrevíamos esta declaração". Por esse motivo, os bispos australianos convidaram os membros do Conselho Católico Nacional dos Aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torres (NATSICC) - uma organização que há muito denuncia as injustiças enfrentadas pelos aborígenes ao longo dos anos - a falarem diretamente sobre suas experiências. Os aborígenes estão constantemente expostos a formas de discriminação e preconceito que têm graves consequências em suas vidas. Entre essas, destacam-se os resultados mais baixos em termos de emprego, educação e habitação, bem como as altas taxas de suicídio e encarceramento. A NATSICC declarou, por isso, identificar o racismo como um desafio contínuo, elogiando os esforços dentro da Igreja para apoiar suas comunidades.
A vontade dos bispos australianos
A Conferência Episcopal Australiana reconhece a dor e as dificuldades vividas pelos aborígenes e, ao fazê-lo, enfatiza a solidariedade da Igreja com essas populações, mas também admite seu próprio papel nas injustiças sofridas pelos nativos durante o período de colonização. Uma análise resultante de uma "escuta profunda", que segundo Dom Timothy Costelloe, presidente dos bispos australianos, foi o impulso para a declaração. Dom Timothy também enfatizou como os povos indígenas devem ser "trazidos das margens para o centro, para que possam liderar as discussões sobre mudanças para trazer cura e justiça".
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