Francisco: “Há muitos, religiosos, consagrados, padres e bispos, que enjaularam o Espírito Santo”

Foto: Vatican Media

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18 Março 2023

  • “Deixemo-nos amar por Deus para sermos testemunhas credíveis do seu amor; que seu amor guie nossos afetos, pensamentos e ações”. Aquele convite a abrir-se ao amor de Deus que São Leonardo Murialdo dirigiu aos irmãos da congregação por ele fundada - a Pia Sociedade de São José - é válido também hoje, frisou Francisco ao receber em audiência as famílias religiosas que seguem os passos do santo de Turim.

  • No dia em que as Josefinas de Murialdo celebram o 150º aniversário da sua fundação, Francisco recorda que São Leonardo não ficou indiferente à pobreza moral, cultural e econômica do seu tempo e daquela Turim que era "o centro da Maçonaria". Ele quis dedicar-se à educação dos jovens e sobretudo dos trabalhadores, dando vida a "uma realidade que ao longo de um século e meio foi enriquecida por pessoas, obras, diferentes vivências culturais, e sobretudo com tanto amor", observa Francisco.

A reportagem é de Tiziana Campisi, publicada por Vatican News, 17-03-2023.

Em seu discurso, o Papa Francisco recordou o que havia escrito às josefinas no ano passado, por ocasião da abertura da celebração jubilar: o desejo de "continuar crescendo na arte de compreender as necessidades dos tempos e de atendê-las com a criatividade do Espírito Santo" diante da qual "são necessários discernimento e fidelidade", a exortação a cuidar "especialmente dos mais pequenos" e o encorajamento a "nunca deixar de sonhar", a exemplo de São José e de São Leonardo.

Francisco acrescenta então três aspectos a serem refletidos: “o primado do amor de Deus, a atenção ao mundo em mudança e a doçura paterna da caridade”. E assinala em primeiro lugar que deixar-se amar é "aquela passividade da vida consagrada, que cresce no silêncio, na oração, na caridade e no serviço", deixando-se guiar pelo amor, não por regras. Conta também a anedota de um geral da Companhia de Jesus, padre Ledochowski, que quis colocar "toda a espiritualidade dos jesuítas em um livro" para "regular tudo", e daquele abade beneditino que, ao ler o primeiro exemplar, disse que aquele documento "mataria" a Companhia de Jesus.

De São Leonardo Murialdo, o Santo Padre destacou a seguir a sensibilidade "às necessidades dos homens e mulheres de seu tempo", a capacidade de perceber as adversidades que o rodeavam, o fato de ter sido "porta-voz da palavra profética da Igreja num mundo dominado pelos interesses econômicos e pelo poder, dando voz aos mais marginalizados", tendo sabido "captar o valor do laicato na vida e no apostolado". Em suma, um homem corajoso e aberto que Francisco pede para imitar, “juntos, leigos, religiosos e religiosas, em caminhos comuns de oração, discernimento e trabalho, para sermos artífices da justiça e da comunhão”.

Finalmente, o terceiro aspecto sobre o qual o papa pede para meditar: “Quando queremos regular tudo, enjaulamos o Espírito Santo. E são muitos - religiosos, consagrados, padres e bispos - que enjaularam o Espírito Santo. Por favor, deixe a liberdade, deixe a criatividade. Ande sempre guiado pelo Espírito".

Por fim, Francisco volta a citar Leonardo Murialdo. “Assim como sem fé não se agrada a Deus, sem doçura não se agrada ao próximo”, disse o santo, para o papa, um simples e poderoso programa de vida e apostolado.

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