Czerny lembra os jesuítas mortos em El Salvador: “Mártires que encarnaram o Concílio”

Comemoração dos jesuítas assassinados em El Salvador (Foto: Vatican News)

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17 Novembro 2022

Em carta, o prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral recorda os confrades assassinados na noite de 16 de novembro de 1989 na Universidade Centro-Americana da Companhia de Jesus de San Salvador: "Sua vida e sua morte inspiram nossa missão".

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican News, 16-11-2022.

Passaram-se 33 anos desde aquela noite de 16 de novembro de 1989, quando seis jesuítas foram arrastados de suas camas e baleados por um comando das Forças Armadas salvadorenhas no campus da UCA, a Universidade Centro-Americana da Companhia de Jesus em San Salvador. Eram os anos em que se travava no país a sangrenta guerra civil (1979-1992) entre o governo militar de direita do país e o grupo revolucionário Frente de Libertação Nacional de Farabundo Marti (Fmln). Deste último grupo foram acusados ​​de partidários o reitor Padre Ignacio Ellacuría, filósofo e teólogo, Ignacio Martín-Baró, Segundo Montes, Amando López, Joaquín López y López, Juan Ramón Moreno Pardo. Por isso acabaram vítimas de um feroz ataque, durante o qual também foram assassinadas a cozinheira e governanta Elba Ramos e sua filha Celina, de dezesseis anos.

(Foto: Reprodução | Religión Digital)

Longas investigações

O derramamento de sangue chocou a opinião pública internacional na época, mas as investigações nunca levaram à verdade. O caso foi arquivado em 2000. Vinte anos depois, os Estados Unidos sancionaram 13 militares em serviço e ex-militares, exilados salvadorenhos, supostamente responsáveis ​​por uma "execução extrajudicial".

A memória do cardeal

O cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, recorda aqueles que define como “mártires”, mais de três décadas depois de suas mortes, em uma carta em espanhol divulgada no dia em que se celebram as comemorações de El Salvador. O cardeal jesuíta recorda o assassinato de seus irmãos e o insere em um longo rastro de sangue que hoje encontra seu ápice naquilo que o Papa estigmatizou como uma "terceira guerra mundial".

(Foto: Reprodução | Religión Digital)

Chamada para renovação

“Ao olharmos para o mundo, existe algum continente ou região onde este importante aniversário que hoje recordamos possa ser celebrado com verdadeira tranquilidade e paz? Ou este é um momento de múltiplos desafios e revoltas?” pergunta Czerny. O cenário é dramático, mas a perspectiva é de esperança: “Apesar dos sinais de violência em várias partes do mundo e da fragilidade da paz, Nosso Senhor nos convida a uma renovação através do caminho sinodal”, disse o cardeal. “Acordar, levantar e caminhar” são para o cardeal “a autêntica vida da Igreja, em humilde peregrinação e alegre serviço, inspirada por nossos irmãos e irmãs mártires”.

"Eles encarnaram o Concílio"

Mártires que encarnaram também o Concílio Vaticano II, cujo 60º aniversário a Igreja celebrou no dia 11 de outubro. “Em nossos esforços para implementar, organizar e institucionalizar a visão e a missão do Concílio, podemos dizer com grande honra que os nossos são certamente mártires daquele dom que foi o Concílio Vaticano II. Com suas vidas e suas mortes, eles encarnaram o Concílio e a 32ª Congregação Geral na grande iniciativa evangélica, educacional e social que foi a Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas”, escreve o cardeal na carta.

(Foto: Reprodução | Religión Digital)

A missão do Dicastério Czerny afirma também que a mesma missão do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral - expressão emprestada da Populorum Progressio de Paulo VI - que recentemente renovou a sua configuração, continua a inspirar-se na "vida" e no "serviço" dos Jesuítas da UCA. Deles, escreve, é o exemplo concreto das palavras registradas no documento final da 34ª Congregação Geral da Companhia de Jesus em 1995: “Homens que viveram em silêncio e estranhos, homens que foram eruditos, pregadores e mestres de renome; homens que deram a vida pelo Evangelho, pela Igreja e pelos pobres; homens que viveram com simplicidade e fidelidade em um mundo que nunca compreendeu sua pobreza, castidade e obediência; homens que trouxeram a Companhia para este momento histórico”.

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