Covid: quase 600 pessoas morreram na fila da UTI no Amazonas

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31 Outubro 2022

Dados exclusivos obtidos pela Amazônia Real pela Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, que haviam sido solicitados há mais de um ano e só agora disponibilizados, indicam por que a ausência de Unidades de Terapia Intensiva agravou o combate à pandemia no governo Wilson Lima.

A reportagem é de Eduardo Nunomura, publicada por Amazônia Real, 27-10-2022. 

Dados oficiais da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), obtidos pela Amazônia Real por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e entregues com um ano de atraso, indicam que 595 pacientes de Covid-19 do Estado morreram na fila por uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no período de julho de 2020 a julho de 2021. Mais da metade deles era procedente de cidades do interior, com destaque para Manacapuru (32), Parintins (30), Tefé (24), Itacoatiara (20) e Coari (19). Em janeiro de 2021, o caos havia migrado para o interior do Amazonas. Nos primeiros meses da pandemia, ela atingiu com mais força a capital amazonense.

Cientes das dificuldades no transporte para Manaus, mas diante de pacientes que não conseguiam respirar e morreriam se não fossem internados, os profissionais de saúde passaram a disparar pedidos requerendo uma vaga em um hospital equipado com UTI. No Amazonas, só haviam duas unidades de saúde preparadas, ambas na capital.

“Este é um número extraordinariamente alto para mortes específicas por Covid-19 (595) e mostra a falência do sistema de referência e contrarreferência para internação de casos graves e em risco iminente de óbito no Amazonas. O número de mortes evitáveis deve ser ainda maior, pois outras dezenas ou talvez centenas de amazonenses podem ter necessitado de UTI e faleceram por falta de leitos”, surpreende-se o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, ao ser apresentado aos números que o governo estadual nunca tornou público.

Em 82% dos pedidos de remoção, a prioridade foi considerada “muito alta” pelas equipes médicas. Para 17%, a situação era “alta”. Dos 595 amazonenses que morreram sem jamais terem conseguido uma internação numa UTI que poderia salvar suas vidas, 59% deles eram pessoas com 60 anos ou mais, 39% eram de adultos (de 20 a 59 anos). E houve, de julho de 2020 a julho de 2021, sete pedidos para crianças, adolescentes ou bebês. O coronavírus contaminou crianças, sim.

As mortes de pacientes que tinham pedidos de transferência, mas não puderam ser atendidos, podem ser um dos fatores desencadeadores do efeito dominó que colapsou o sistema de saúde do Amazonas. A partir de 9 de janeiro de 2021, o número de óbitos no Amazonas explodiu. Naquele dia, 123 pessoas morreram.

A população que cuidava dos doentes dentro de suas casas se desesperou com a falta de oxigênio. Nos dias e semanas seguintes, a pandemia se alastrou pelo Estado amazônico. Esta reportagem, a partir dos dados agora revelados, recupera os cruciais momentos do enfrentamento da pandemia por parte dos governos estadual e federal. Nas palavras do epidemiologista Jesem Orellana, esse colapso poderia ter sido evitado.

O caos se instala

No dia 1º de janeiro de 2021, a grande maioria dos brasileiros celebrava seu primeiro réveillon dentro de suas casas. Pouco depois do almoço e em cinco hospitais do Amazonas, equipes de plantão entraram com pedidos para transferência de pacientes de Covid-19 ou SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Eram pessoas em situação delicada que precisavam ser removidas com urgência para UTIs. Apenas um deles era do interior, internado no Hospital Regional de Coari. A pandemia estava prestes a completar um ano, mas o Estado ainda concentrava os atendimentos graves para a capital Manaus.

Em situações como essa, o profissional de saúde num hospital ou posto de saúde abre um protocolo de transferência num sistema eletrônico da SES-AM, aguarda-se na fila e assim que um leito fosse liberado o transporte seria autorizado. Essa autorização nunca chegou e naquela data os cinco pedidos foram cancelados. Os pacientes, três adultos e dois idosos, morreram antes de serem transferidos.

Os dias seguintes apresentaram oscilações no número de pedidos de transferência, num padrão muito parecido com o já enfrentado pelos profissionais de saúde do Amazonas. De julho a dezembro de 2020, 80 pacientes de Covid-19 do interior do estado também morreram por falta de transferência para uma UTI de Manaus.

Mas uma nova e devastadora cepa do coronavírus começou a circular no Amazonas, chamada de P1 ou Gama. Notícias de um mundo globalizado já indicavam que a variante era mais letal e transmissível, mas as autoridades não chegaram a ser claras e transparentes o suficiente para alertar dos riscos para a população.

No dia 8 de janeiro de 2021, o Sister, programa da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (SES-AM), registrou 11 pedidos de transferência; 9 da própria capital, de hospitais menores e unidades de pronto-atendimento (UPAs) que não contavam com leitos de UTI, um de Tefé e outro de Iranduba. Esses 11 pacientes também morreram sem serem transferidos.

Algo de muito grave começava a se desenhar e as 5.546 mortes por Covid-19, desde o início da pandemia até aquele momento, já seriam um indicador claro de que o Amazonas operava no limite de sua capacidade. As valas comuns sendo abertas para enterrar os pacientes em junho de 2020 ainda eram lembranças vivas no Brasil e no resto do mundo. O horror das cenas não impediu, contudo, que o governador Wilson Lima cedesse a uma pressão de comerciantes, nas vésperas do Natal de 2020, que exigiam que o comércio permanecesse aberto. Lima havia determinado o fechamento total até 26 de dezembro.

Com as pessoas nas ruas, era previsível que a situação se agravaria depois de dias de comércio liberado para as festas de fim de ano. Mas o que se viu em hospitais e postos de saúde do Amazonas foi algo ainda mais trágico. A pandemia que nos primeiros meses havia ficado mais concentrada em cidades mais populosas começou a se disseminar rapidamente pelos interiores brasileiros. No Amazonas, o vírus encontrou a combinação perfeita entre a incompetência das autoridades e o negacionismo por parte da população.

Pânico e desespero

Em Manacapuru, município localizado no Médio Rio Solimões, ao longo de 12 meses entre 2020 e 2021, o pânico e o desespero tomaram conta do Hospital Regional. Único na cidade que fica a quase 100 quilômetros distante da capital com capacidade para atender a pacientes infectados pelo vírus, ele tinha um limite de atendimento.

Se a oxigenação chegasse em níveis abaixo de 80% para um paciente contaminado, era preciso transferi-lo para Manaus. Foram 32 ao longo desse período, e todos morreram por falta de transferência. Consta no Sister que o requerente era Paulo Pires da Costa, responsável pelo Hospital Geral de Manacapuru. Procurado pela Amazônia Real, ele preferiu não dar entrevista para relatar o que enfrentou. “Não quero abordar esse assunto neste momento, ou nesta semana de tensão política extrema. Poderá ser usado de maneira não adequada”, disse à reportagem.

Uma força-tarefa mobilizada pelo governo estadual constatou a explosão de casos da doença. Entre julho de 2020 e julho de 2021, 29.387 pacientes foram internados por Covid-19 no Amazonas. Houve 11.056 mortes. Em vez de criar leitos de UTI, que são compostos por equipamentos caros e de difícil oferta naquele momento, Wilson Lima aumentou a oferta de leitos das chamadas Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) de 49 para 192 no interior do Estado.

“Das 45 usinas de oxigênio hospitalar que implantou, 29 foram para o interior, onde não existia nenhuma. Atualmente, o interior já conta também com 31 leitos de UTI implantados em três municípios polo, Parintins, Tefé e Tabatinga”, diz o candidato à reeleição em nota enviada à Amazônia Real. Mas a ajuda chegou tarde. Só nos municípios do interior do Amazonas morreram 308 pessoas que deixaram de ser transferidas por falta de UTI entre julho de 2020 e julho de 2021.

Um dos casos reportados pela Amazônia Real, na primeira onda da pandemia, foi da indígena Neuraci Ramos de Oliveira, do povo Tikuna. Com Covid-19 e doenças pré-existentes, ela aguardou vários dias no Hospital de Tabatinga, no Alto Rio Solimões, para ser transferida para Manaus. Quando Neuraci, enfim, conseguiu vaga em um hospital com UTI, ela foi retirada da aeronave por causa de problemas na turbina, em julho de 2020. Dois dias depois, ela faleceu.

Falta de transparência

O pedido desta LAI foi feito em julho de 2021, mas acabou sendo entregue apenas em outubro deste ano – um fato, no mínimo, curioso. Pelo protocolo, os dados foram gerados no Sister em 16 de agosto de 2021, a tempo de cumprir o que determina a legislação. A equipe da Amazônia Real recorreu contra o não-atendimento por parte do governo estadual nas diferentes instâncias estabelecidas pela Lei 12.527/2011, que instituiu a LAI. Mas foi sempre ignorado pelo órgão de saúde amazonense. Embora a resposta já estivesse pronta, foram precisos 14 meses para que ela fosse entregue, às vésperas das eleições, sem maiores explicações.

Em um primeiro momento, a Assessoria de Imprensa do candidato à reeleição Wilson Lima, que tenta a recondução ao cargo na eleição deste domingo (30), chegou a questionar a reportagem sobre a fonte dos dados, informando que nenhuma solicitação jornalística havia sido demandada na SES-AM. Informada que os dados foram obtidos por um pedido de LAI, ela se prontificou a responder aos questionamentos da agência.

“Quando assumiu o governo do Estado do Amazonas, em janeiro de 2019, Wilson Lima encontrou um sistema de saúde totalmente sucateado. O Hospital Delphina Aziz, que tinha a melhor estrutura para atendimento da Covid, contava com apenas 10 leitos de UTI. Não havia nenhum leito de UTI no interior e também não contava com nenhuma usina própria de oxigênio”, afirma a assessoria do candidato, em nota. “Entre as medidas para prestar a assistência necessária a quem precisava de leitos de UTI foi a transferência de 598 pacientes para hospitais de 16 Estados, com apoio do Ministério da Saúde e da Força Aérea Brasileira.”

A resposta acima explicita a relação umbilical entre os governos de Wilson Lima (União) e Jair Bolsonaro (PL). Eleito pelo PSC, Lima, e Bolsonaro, pelo PSL, migraram para partidos diferentes nos últimos quatro anos. Mas a sintonia política entre os dois nunca se desfez. Nos dias 17 e 18 de janeiro, 21 hospitais entravam, em vão, com pedidos para transferir 43 pacientes com Covid-19 ou SRAG para Manaus. As transferências nunca ocorreram. O general do Exército Eduardo Pazuello, colocado para chefiar o Ministério da Saúde no pico da pandemia por Bolsonaro, estava há uma semana na capital amazonense tentando administrar o colapso nos hospitais do Amazonas. As mortes pelo novo coronavírus, àquela altura, já tinham saltado para 6.450 no Estado.

No site do Ministério da Saúde, com páginas recuperadas no banco de dados da Internet Archive, é possível colher mais indícios da conduta da equipe de Pazuello. Em 11 de janeiro de 2021, um dia após a chegada do ministro no Amazonas, o pupilo de Bolsonaro insistia na tese suicida de Bolsonaro. “O diagnóstico não é do teste, é do profissional médico. O tratamento, a prescrição, é do médico. E a orientação é precoce. E essa é a orientação de todos os conselhos de medicina”, disse Pazuello, defendendo o tratamento precoce contra a Covid-19. Segundo seu depoimento à CPI da Pandemia, ele afirmou que naquela ocasião, já tinha tido uma reunião com representantes da White Martins e tinha tomado ciência da falta de oxigênio.

É isso que faz ficar ainda mais chocante ouvir o relato da ex-mulher de Pazuello, revelado pelo portal Mynews, que afirma que o ministro de Bolsonaro promovia festas regadas a whisky. “Liguei para ele e nesse dia surtei. Falei para ele (Pazuello) que o que estava fazendo era crime, que ia ser responsabilizado, que era negligência, que tinha gente morrendo a um quilômetro abaixo da casa, num momento em que ele estava dando uma festa. Sei disso, porque, infelizmente, porque minha filha esteve lá (…) e a pessoa que estava lá disse ‘tem whisky rolando'”, disse a dentista Andréa Barbosa.

Em 29 de janeiro, seu último dia na capital amazonense, Pazuello ainda era capaz de afirmar: “Se nós não removermos 1.500 no atendimento especializado, vão continuar morrendo 80 a 100 pessoas por dia, porque não há UTIs e não se cria uma UTI da hora para noite (sic)”. Naquele momento, as unidades de referência para o tratamento de Covid-19 eram o Delphina Aziz, onde foi aberto um hospital de retaguarda, e outro na Universidade Nilton Lins.

Em nenhum momento da pandemia, o governo Bolsonaro sinalizou querer enfrentar o problema de frente. Sem agilidade, o Ministério da Saúde optou por receitar cloroquina, um remédio ineficaz contra a Covid-19, e não fazer um esforço para a construção de UTIs em polos regionais do Amazonas.

“É bom lembrar que, em junho de 2020, o ex-ministro Pazuello minimizou a epidemia em Manaus e afirmou que a curva ‘era diferente’ e que tenderia ao seu esgotamento. Em dezembro de 2020, disse que a testagem era adequada no Amazonas, já em plena disseminação da mortal variante Gama”, ressalta Jesem Orellana. “Isso transmitiu uma falsa sensação de tranquilidade e até relaxamento generalizado, culminando com centenas de mortes por asfixia, dentro e fora dos hospitais, sobretudo, em janeiro de 2021.”

Em abril de 2021, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas ingressou na Justiça com um pedido de indenização por danos morais coletivos causados a pacientes graves de Covid-19 que estavam na fila de regulação do sistema de saúde e morreram sem conseguir um leito de UTI. “Não podemos afirmar que, necessariamente, todos os pacientes teriam sobrevivido, mas eles perderam uma oportunidade de um tratamento terapêutico em razão disso, que ocorreu em razão do colapso do sistema de saúde do Amazonas”, explicou, à época, o defensor Arlindo Gonçalves.

A DPE-AM informou ainda à Amazônia Real que foi instaurado “um Procedimento para Apuração de Dano Coletivo (Padac) a fim de averiguar o prejuízo à coletividade decorrente do desabastecimento de oxigênio hospitalar na rede pública de saúde do Estado”. Essa apuração segue em andamento.

600 mortes por asfixia

As quase 600 mortes de pacientes que não puderam ser transferidas a tempo é um recorte parcial sobre os reais dados da pandemia no Amazonas. Como houve atraso no atendimento ao pedido da LAI, o período vai até julho de 2021. As unidades hospitalares que mais concentraram pedidos de transferência, nunca atendidas, foram o Hospital Regional Doutor Jofre de Matos Cohen (29 pacientes), em Parintins; a SPA e Maternidade Chapot Prevost (29) e o H.P.S. 28 de Agosto (28), em Manaus; e o Hospital Regional de Tefé (24).

O Amazonas enfrentou duas grandes ondas da pandemia de Covid-19: a primeira em abril e maio de 2020, e a segunda em janeiro de 2021. Entre uma e outra haveria tempo para equipar as cidades do interior do Estado com equipamentos médicos para evitar as trágicas filas por UTIs? Essa é uma pergunta que permanece no ar. Assim como permanecem dúvidas acerca da atuação dos políticos no enfrentamento do vírus mortal.

Wilson Lima, que foi o candidato melhor votado no primeiro turno (42,82% dos votos válidos), conta com o esquecimento dos eleitores para tentar um segundo mandato diante do adversário, o senador Eduardo Braga (MDB), que teve 20,99% dos votos.

O governador é hoje réu na ação penal 993, por causa da compra de ventiladores pulmonares em março e abril de 2020. O governo do Amazonas teria comprado, de forma direcionada, 28 ventiladores que seriam usados em unidades hospitalares. Na ação, o ministro-relator do Superior Tribunal de Justiça, Francisco Falcão, e o presidente do órgão, Humberto Martins, anotam: “Existência de elementos de provas de que o Governador exerceria o comando da organização criminosa formada pelos dirigentes do Amazonas (secretários e servidores públicos) e empresários para o cometimento de delitos de fraude e dispensa de licitação indevida, e peculato”.

Procurado pela Amazônia Real, o governador respondeu sobre esse processo, ainda em curso: “Os respiradores foram comprados bem no início da pandemia, em abril de 2020. Agora é fácil falar, mas à época ninguém sabia quase nada sobre a Covid-19. O mais importante para nós era salvar vidas. Por isso, determinei agilidade máxima na compra dos equipamentos. Tudo o que compramos foi entregue e ajudou a salvar vidas. Desafio alguém a encontrar minha assinatura em alguma compra ilegal, seja de respirador ou de qualquer outra coisa”.

Segundo a assessoria do governador, entre as ações realizadas por Lima durante a pandemia, estão quase dobrar o número de leitos de UTI em Manaus, de 317 para 600, e a implementação de 31 leitos de UTI nos municípios de Parintins, Tefé e Tabatinga.

Para o epidemiologista da Fiocruz-Amazônia, Jesem Orellana, caberia aos governos federal, estadual e municipais, especialmente aqueles de maior porte, adotarem um esforço para reorganizar a rede assistencial, com a abertura de dezenas de leitos de UTI no interior e outra parcela substancial na capital.

O que aconteceu, ao contrário, foi uma orientação adotada de permitir que a população entrasse em contato com o vírus, a fim de testar a chamada “imunidade de rebanho”. Em 26 de outubro, há quatro dias das eleições, o Amazonas conta 14.354 mortos por Covid-19.

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