Liturgia e Sínodo. Artigo de Goffredo Boselli

Foto: Mateus Campos Felipe | Unsplash

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12 Outubro 2022

 

"Ao convocar a maior consulta já realizada na Igreja Católica, o Papa Francisco confere ao povo de Deus um papel até então inusitado, redesperta o sensus fidei dos batizados e lhes reconhece uma importância inédita. Por esta razão, o indiscutível valor do amplo material das sínteses nacionais é que não é a reflexão acadêmica de alguns especialistas, mas é o resultado daquele 'senso da fé' que permite ao povo de Deus desenvolver um juízo intuitivo sobre os conteúdos centrais da fé", escreve Goffredo Boselli, liturgista italiano, monge da Comunidade de Bose, na Itália, e colaborador da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Episcopal Italiana, em artigo publicado por Vita Pastorale, outubro de 2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A fase diocesana do itinerário sinodal foi concluída e cada nação entregou a síntese dos trabalhos realizados.

 

Indicadas no documento preparatório sob o título "Celebrar", as sínteses relataram a grande atenção dada à liturgia nos trabalhos realizados nas dioceses, com uma reflexão sobre a importância de celebrar e uma grande liberdade de avaliação da prática litúrgica atual, formulando propostas, críticas, indicações e solicitações.

 

Da leitura das sínteses de alguns dos maiores países europeus, os temas mais recorrentes são os seguintes que relato com expressões retiradas das próprias sínteses: a centralidade da Eucaristia na vida cristã e a importância decisiva da celebração para a fé; a demanda de uma liturgia que favoreça a oração; o pedido de abertura a diferentes formas de liturgias em benefício das celebrações da Palavra; a demanda de formação diante do "analfabetismo litúrgico" generalizado; o problema da linguagem litúrgica reconhecida como incompreensível; a forte desconexão entre a liturgia e a vida cotidiana das pessoas; a exigência de devolver sobriedade e beleza à liturgia; o problema das liturgias que se tornaram pouco atraentes especialmente para os jovens; o protagonismo excessivo dos presbíteros e a redução do fosso entre presbíteros e assembleia; a necessidade urgente de um maior protagonismo dos leigos e, em particular, das mulheres; a proposta de um ministério de pregação realizado pelos leigos; o pedido de que as liturgias sejam precedidas e seguidas por momentos de convívio abertos a todos; atenção à piedade popular, ao culto dos santos e às peregrinações.

 

Nas próximas intervenções iremos aprofundar alguns desses temas. Aqui me limito a apontar os dois principais elementos que emergem das sínteses que chegaram a Roma: por um lado, a confirmação pelo Povo de Deus da centralidade da liturgia na vida da Igreja e sua importância na experiência de fé. Por outro lado, fica claro que o povo de Deus destaca a situação de crise em que a liturgia se encontra hoje. O resultado é um claro pedido de renovação das modalidades, do estilo, das formas e das linguagens da celebração. Os fiéis e os párocos mostram, basicamente, uma insatisfação generalizada com a prática litúrgica atual: as causas da situação e as propostas de mudança são explicitamente expressas.

 

Ao convocar a maior consulta já realizada na Igreja Católica, o Papa Francisco confere ao povo de Deus um papel até então inusitado, redesperta o sensus fidei dos batizados e lhes reconhece uma importância inédita. Por esta razão, o indiscutível valor do amplo material das sínteses nacionais é que não é a reflexão acadêmica de alguns especialistas, mas é o resultado daquele "senso da fé" que permite ao povo de Deus desenvolver um juízo intuitivo sobre os conteúdos centrais da fé. Que seguimento concreto saberá a Igreja dar às sínteses de uma escuta ampla e atenta do povo de Deus, que expressou um juízo sobre um aspecto crucial da vida da Igreja como é a liturgia?

 

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