O açougueiro de Bucha recebeu bênção do bispo ortodoxo, mas levá-lo ao Tribunal de Haia será difícil

Imagem: Azatbek Omurbekov | Foto: reprodução / YouTube

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08 Abril 2022

 

Azatbek Omurbekov é o nome do jovem comandante russo que se acredita ter comandado o batalhão de militares russos responsável pelos massacres em Bucha e arredores. Estupros, violências, pilhagem, crueldade, torturas. Um soldado que recebeu bênção de um bispo ortodoxo antes de ser enviado para a Ucrânia.

 

A reportagem é publicada por Il Messaggero, 06-04-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Enquanto isso, continua o trabalho para identificar quem fazia parte desse grupo militar com o objetivo de reunir o maior número possível de elementos e, uma vez terminada a guerra na Ucrânia, usá-los perante um tribunal internacional, mesmo que do ponto de vista técnico parece uma estrada difícil de percorrer.

 

Nessas horas, graças ao InformNapalm, plataforma que monitora a atividade do exército russo, apurou-se que o jovem Omurbekov - 40 anos, proveniente do extremo leste da Federação Russa - foi condecorado com a Medalha de Distinção por Serviços pelo vice-ministro de Defesa russo Dmitry Bulgakov. E que antes de ser enviado para a Ucrânia teve a bênção de um sacerdote ortodoxo, após uma missa celebrada pelo bispo ortodoxo de Khabarovsk. Segundo o Patriarcado de Moscou, a chamada operação militar realizada por Putin deve ser considerada um conflito justo porque, afirmou Kirill, ajuda a erradicar o mal que afeta e ameaça a sociedade russa.

 

 

Arrastar o comandante Omuberkov diante de um Tribunal Penal Internacional, contudo será muito difícil, ainda que, de acordo com o direito internacional, um comandante militar é responsável pelos crimes de guerra cometidos por seus soldados. O fato é que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) administra as controvérsias entre Estados, mas não pode processar indivíduos. Se a CIJ tomasse esse caminho contra a Rússia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas seria de fato responsável por sua implementação. No entanto, Moscou, como um dos cinco membros permanentes do Conselho, sempre pode vetar qualquer proposta.

 

 

Além disso, se os investigadores da Corte Internacional encontrassem provas das atrocidades cometidas pelos homens de Omurbekov, o promotor público poderia pedir aos juízes da Corte que emitissem mandados de prisão. Mas como o tribunal não dispõe de uma própria polícia, é obrigado a depender dos estados para prender os suspeitos. E a Rússia não sendo um membro do tribunal, terminaria que Putin não iria extraditar ninguém.

 

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