Poluição do mar por plástico atinge níveis preocupantes

Fonte: Pixabay

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10 Fevereiro 2022

 

O material é encontrado nas fossas oceânicas mais profundas, na superfície e no gelo marinho do Ártico, de acordo com uma revisão de quase 2.600 pesquisas.

A reportagem é publicada por La Jornada, 9-02-2022. A tradução é do Cepat.

A contaminação por plástico no mar está atingindo níveis preocupantes e continuará a crescer mesmo que medidas significativas sejam tomadas agora para impedir que esses detritos cheguem aos oceanos, de acordo com uma revisão de centenas de estudos acadêmicos.

A revisão do Instituto Alfred Wegener da Alemanha, que realiza pesquisas no Ártico, na Antártica e nos oceanos de latitudes altas e médias, examinou quase 2.600 trabalhos de pesquisa sobre o assunto para oferecer uma visão geral antes de uma reunião das Nações Unidas que acontecerá no final deste mês.

“Nós encontramos o plástico nas fossas oceânicas mais profundas, na superfície do mar e no gelo marinho do Ártico”, disse a bióloga Melanie Bergmann, coautora do estudo, publicado ontem.

Algumas regiões, como o Mediterrâneo, o Leste da China e o mar Amarelo, já contêm níveis perigosos de plástico, enquanto outras correm o risco de se tornarem cada vez mais poluídas no futuro. Os autores concluíram que quase todas as espécies do oceano foram afetadas pela poluição plástica e que está danificando ecossistemas importantes, como os recifes de corais e os manguezais.

À medida que o plástico se decompõe em pedaços cada vez menores, ele também entra na cadeia alimentar marinha e é ingerido por todos, de baleias a tartarugas e plâncton minúsculo.

Tirar esse plástico da água novamente é quase impossível. Então os formuladores de políticas devem se concentrar em impedir que mais desse material entre nos oceanos, sugeriu Bergmann.

Alguns dos estudos mostraram que, mesmo que isso acontecesse, a quantidade de microplásticos marinhos continuaria a aumentar durante décadas, disse a bióloga.

Matthew MacLeod, professor de ciências ambientais da Universidade de Estocolmo que não esteve envolvido no relatório, disse que parece ser uma revisão sólida dos estudos existentes, focados nos efeitos da poluição plástica.

A parte que pode (e será) discutida é se há evidências suficientes para justificar uma ação agressiva (como a se defende neste relatório) que certamente interromperá as práticas atuais de produção, uso e descarte de plástico, observou.

MacLeod participou recentemente de um estudo em separado que também concluiu que uma ação imediata é necessária devido aos potenciais impactos globais.

Heike Vesper, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), disse que, embora os consumidores possam ajudar a reduzir a poluição por plástico mudando seu comportamento, os governos precisam intensificar e compartilhar o ônus de enfrentar o problema.

O que precisamos são boas políticas, acrescentou, antecipando a próxima reunião ambiental da ONU em Nairóbi. É um problema global e precisa de soluções globais.

 

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