As bem-aventuranças de um bispo

Obra "Christ as the good shepherd", de Lucas Cranach. (Foto: Wikimedia Commons)

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23 Novembro 2021

 

 

Ao iniciar uma conversa com os Bispos da Conferência Episcopal Italiana, na tarde desta segunda-feira, dia 22-11-2021, o Papa Francisco distribuiu aos presentes um santinho com a imagem do Bom Pastor e o texto das "Bem-aventuranças de um Bispo".

 

A reportagem é publicada por Sala de Imprensa da Santa Sé, 22-11-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

As bem-aventuranças de um Bispo

 

Obra "Christ as the good shepherd", de Lucas Cranach. (Foto: Wikimedia Commons)

 

Bem-aventurado o Bispo que faz da pobreza e da partilha o seu estilo de vida, porque com o seu testemunho está construindo o reino dos céus.

 

Bem-aventurado o Bispo que não tem medo de marcar seu rosto com as lágrimas, para que nelas possam ser refletidas as dores das pessoas, a labuta dos presbíteros, encontrando no abraço com os que sofrem a consolação de Deus.

 

Bem-aventurado o Bispo que considera seu ministério um serviço e não um poder, fazendo da mansidão sua força, dando a todos o direito de cidadania no seu coração, para habitar a terra prometida aos mansos.

 

Bem-aventurado o Bispo que não se fecha nos palácios do governo, que não se torna um burocrata mais atento às estatísticas do que aos rostos, aos procedimentos do que às histórias, tentando lutar ao lado do homem pelo sonho de justiça de Deus por que o Senhor, encontrado no silêncio da oração cotidiana, será o seu alimento.

 

Bem-aventurado o Bispo que tem coração pela miséria do mundo, que não tem medo de sujar as mãos com a lama do espírito humano para encontrar nele o ouro de Deus, que não se escandaliza com o pecado e com a fragilidade alheia porque está ciente da própria miséria, porque o olhar do Crucifixo Ressuscitado será para ele o símbolo do perdão infinito.

 

Bem-aventurado o Bispo que afasta a duplicidade de coração, que evita qualquer dinâmica ambígua, que sonha com o bem até no meio do mal, porque poderá alegrar-se com o rosto de Deus, encontrando o seu reflexo em cada poça d’água da cidade de homens.

 

Bem-aventurado o Bispo que trabalha pela paz, que acompanha os caminhos da reconciliação, que semeia no seio do presbitério a semente da comunhão, que acompanha uma sociedade dividida no caminho da reconciliação, que leva todo homem e mulher de boa vontade pela mão para construir a fraternidade: Deus o reconhecerá como seu filho.

 

Bem-aventurado o Bispo que pelo Evangelho não teme ir contra a corrente, endurecendo o seu rosto como o de Cristo rumo a Jerusalém, sem se deixar deter pelas incompreensões e os obstáculos porque sabe que o Reino de Deus avança na contradição do mundo.

 

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