Debate sobre ordenação de mulheres cresce na Alemanha

Foto: Dwayne Jordan | Flickr cc

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30 Setembro 2021

 

O debate sobre a ordenação de mulheres ao sacerdócio na Igreja Católica está se intensificando na Alemanha. Em uma cerimônia de premiação promovida pela Conferência dos Bispos da Alemanha, o chefe da emissora internacional alemã Deutsche Welle pediu que as mulheres tenham acesso aos ministérios ordenados na Igreja.

A reportagem é de Katholische Nachrichten-Agentur, 29-09-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Estou profundamente convencido: uma organização que não é diversa fracassará hoje em dia”, disse Peter Limbourg, em Solingen, no dia 28 de setembro.

O novo presidente da Comissão Episcopal para a Fé, Dom Franz-Josef Overbeck, também defendeu a ordenação de mulheres sacerdotisas católicas. “Para as pessoas com profunda convicção da igualdade de todos os seres humanos, a abordagem atual aos ministérios da Igreja e ao acesso a eles não é mais compreensível”, disse Overbeck ao jornal Rheinische Post, no dia 28 de setembro.

Ele acrescentou que não há muitas pessoas que ainda acreditem que a prática atual é correta. “A grande maioria já não concorda que o ministério ordenado seja reservado exclusivamente aos homens”, disse o bispo.

Limbourg, que mencionou expressamente a sua filiação à Igreja Católica, também disse que a Igreja está sob pressão em todo o mundo. Mesmo no hemisfério Sul, os ritos religiosos são pouco participados, e “movimentos e seitas evangélicos duvidosos” estão crescendo na região, disse ele. Esse é um fenômeno deprimente “porque a mensagem de Jesus Cristo é mais relevante do que nunca em um mundo cheio de injustiça social, pobreza e isolamento”.

Limbourg estava hospedando uma cerimônia para a dançarina brasileira Lia Rodrigues, que recebeu o Prêmio de Arte e Cultura da Igreja Católica na Alemanha. O jornalista elogiou o trabalho artístico dela e também o seu compromisso sociopolítico. “Lia Rodrigues segue uma tradição que é também uma tradição do cristianismo: a resistência não violenta à opressão, à discriminação e à exclusão”, disse ele.

Overbeck, que lidera a Diocese de Essen, é copresidente do fórum sobre o poder e a divisão do poder no projeto de reforma do Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha. A segunda Assembleia Sinodal começa em Frankfurt no dia 30 de setembro.

Overbeck pediu mais voz aos leigos e leigas em questões como a eleição de um novo bispo. Ele disse que seu fórum quer encorajar a participação de todos os que pertencem ao povo de Deus. Ele acrescentou: “Teremos que dar respostas muito diferentes a questões semelhantes na Igreja universal no futuro, até porque o contexto é diferente”.

Overbeck disse que o Caminho Sinodal pode levar à decepção, por exemplo, se os padrões democráticos aos quais as pessoas estão acostumadas na Alemanha não puderem ser introduzidos na Igreja. No entanto, quem está ciente de pertencer a uma comunidade de fiéis de 2.000 anos “se alegraria” com sabedoria e serenidade a cada passo dado, disse ele.

O Caminho Sinodal lançado em 2019 na Alemanha é um projeto dos bispos e de representantes leigos e leigas para discutir o futuro da Igreja Católica no país. O ponto de partida é uma crise eclesial que já dura anos e foi exacerbada pelo escândalo dos abusos. O debate é principalmente sobre o poder, o sacerdócio e a moral sexual, assim como sobre o papel das mulheres na Igreja.

 

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