Abusos na Igreja da Alemanha: entre verificação e exemplaridade

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16 Agosto 2021

 

O resultado da visita apostólica realizada em junho pelo cardeal Arborelius, bispo de Estocolmo, e por Dom van den Hende, bispo de Rotterdam, à Diocese de Colônia, foi enviado à Santa Sé.

O comentário é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, em artigo publicado em Settimana News, 13-08-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Agora, espera-se uma decisão do papa, especialmente no que diz respeito ao pessoal eclesiástico diretamente envolvido no relatório jurídico sobre a gestão dos casos de abuso na maior diocese alemã (em particular, Dom Heße, bispo de Hamburgo, que apresentou sua renúncia ao papa, cuja aceitação foi temporariamente suspensa por Francisco, e o bispo auxiliar de Colônia, Dom Schwaderlapp – ambos suspensos do exercício do ministério).

Em breve, espera-se a publicação da pesquisa encomendada pela Diocese de Munique, no contexto da renúncia apresentada pelo bispo local, o cardeal Marx, rejeitada pelo Papa Francisco. Além da equipe atualmente no cargo, em Munique ou em outros lugares na Igreja alemã, o relatório sobre a Diocese de Munique também abrange o breve período de ministério episcopal exercido por Ratzinger lá.

A esse respeito, já surgiu pelo menos um caso que dá a entender algumas falhas nos deveres de ofício por parte do papa emérito. Mas, para se ter um quadro mais detalhado, preciso e objetivo, será preciso aguardar a publicação completa da investigação que já chegou ao seu término.

Em uma recente entrevista com o padre jesuíta K. Mertes, que há 11 anos foi quem levantou, a partir de dentro, o véu da omissão sobre os casos de abusos na Alemanha, com uma carta enviada aos ex-estudantes de Canisius-Kolleg, de Berlim, afirmou que é importante separar a questão da gestão e elaboração dos casos de abuso sexual na Igreja da gestão que diz respeito à política eclesiástica:

“Há muitas vítimas para as quais é totalmente indiferente se a Igreja deve tirar ou não a obrigação do celibato para o exercício do ministério ordenado. Questões como essas não são aquilo que importa para elas. Trata-se, em vez disso, de lançar luz sobre os fatos, da indenização, de um apoio efetivo e talvez – mais uma vez – da prevenção, porque é importante que coisas desse tipo não se repitam.”

Outro aspecto importante, sublinhado por Mertes, diz respeito à relação e à comunicação com as vítimas – aqui são necessárias mudanças estruturais e culturais na Igreja para torná-la uma comunidade mais sensível, capaz de escuta.

Isso sobretudo levando em conta que, devido ao quadro constitucional e jurídico alemão, a Igreja Católica é chamada a ser um dos atores protagonistas naquilo que se refere à investigação de arquivo e a todo o processo que envolve a denúncia tanto de casos de violência quanto do modo como eles foram geridos.

A situação é diferente em relação aos países anglo-saxões, onde os promotores podem impor a entrega dos arquivos eclesiásticos aos juízes responsáveis – o que também pode ser um alívio enorme para a própria Igreja, como expressou recentemente o bispo de Belfast.

Mertes também lembrou que a questão dos abusos e das violências não diz respeito apenas à Igreja, mas a toda a sociedade e a todo o tecido das relações humanas. Isso não para justificar, mas para conscientizar de que existem muitos setores da vivência social que ainda escapam de um processo de esclarecimento, investigação e responsabilidade civil e penal a esse respeito (em particular o esporte e as escolas).

“Tratando-se de um problema geral, acho que a Igreja está prestando um bom serviço à sociedade no momento em que assumiu a tarefa de trazer à tona os casos de abuso no seu interior. Neste momento, a Igreja alemã também tem uma boa reputação, uma espécie de exemplaridade na sociedade, e não apenas uma má reputação (...). Quem assume tal questão na Alemanha sabe muito bem que, nesse meio tempo, pode encontrar na Igreja o parceiro mais forte e adequado.”

 

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