Vaticano II “ensinou-nos a importância da colegialidade e da sinodalidade”, afirma um dos últimos bispos vivos que participou do Concílio

Foto: Catophic

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22 Julho 2021

 

“Estamos no meio da travessia, mas lembremo-nos que ainda temos que chegar ao outro lado”. A travessia a que Mons. Luigi Bettazzi, bispo emérito de Ivrea e último bispo italiano ainda vivo a ter participado do Concílio Vaticano II, se refere é a plena implementação do próprio Concílio. Mons. Bettazzi, 98, falou esta manhã em Verona na conferência organizada para comemorar os 60 anos do Seminário para a América Latina (posteriormente fundido no Cum), recordando a sua experiência como jovem bispo (então auxiliar de Bolonha) durante o Concílio.

A reportagem é publicada por Agência SIR, 20-07-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Aquela experiência - recordou Bettazzi - nos ensinou a importância da colegialidade e da sinodalidade, palavras que o Papa Francisco está trazendo de volta ao coração da Igreja. Muitos no início do Concílio esperavam que os resultados já estivessem escritos, mas não foi assim, por decisão do Papa João XXIII que queria que fosse o povo de Deus, através de bispos de todo o mundo, o verdadeiro protagonista desse processo histórico".

Mons. Bettazzi refez as principais etapas do Concílio e traçou o percurso percorrido pela Igreja nos anos seguintes. Um caminho não isento de dificuldades e resistências. Por isso, àqueles que perguntavam sobre a necessidade de um novo Concílio, Mons. Bettazzi respondeu: “Não creio que seja necessário um novo Concílio porque ainda temos que implementar o anterior e o risco seria voltar atrás em vez de avançar. Infelizmente, se olharmos para a liturgia, para o clericalismo, ainda há muito a fazer. Felizmente, porém, o Senhor nos doou um Papa como Francisco que, apesar de não ter vivido os dias do Concílio, o está colocando em prática”. Daí a esperança de que o caminho da Igreja italiana rumo ao Sínodo possa trazer frutos. “O Papa Francisco já almejava pela primeira vez um Sínodo da Igreja italiana em Florença em 2015. Agora é o momento certo”.

 

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