O Sínodo se transforma para dar espaço ao povo de Deus, afirma o cardeal Grech

Foto: Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos | Catholic Church England and Wales | Flickr CC

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24 Mai 2021

 

Entrevista com o Secretário Geral do Sínodo dos Bispos: "Todos podem fazer ouvir a sua voz, o processo decisório na Igreja começa sempre com a escuta, porque só assim podemos compreender como e para onde o Espírito quer conduzir a Igreja".

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican News, 21-05-2021.

O Sínodo se transforma para dar espaço ao povo de Deus, para que todos possam fazer ouvir suas vozes. Este é o significado das novidades introduzidas no processo sinodal e ilustradas pelo Cardeal Mario Grech, Secretário-geral do Sínodo dos Bispos, em entrevista à mídia Vaticana.

"A assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos será celebrada em outubro de 2023", explica, "porque, por um lado, houve a dramática situação da pandemia e, por outro, a necessidade de aplicar em tempo as normas previstas pela constituição apostólica Episcopalis communio". Grech disse estar certo de que "a história do Sínodo ilustra o bem que estas assembleias têm feito à Igreja, mas também que o tempo estava maduro para uma participação mais ampla do povo de Deus em um processo decisório que diz respeito a toda a Igreja e a todos na Igreja".

Quanto às novidades introduzidas, o Cardeal se refere à transformação do Sínodo de um evento em um processo: "Enquanto antes se esgotava na celebração da assembleia, agora cada assembleia do Sínodo é desenvolvida de acordo com fases sucessivas, que a constituição chama de fase preparatória, de fase celebrativa e de fase de implementação". Sem o primeiro passo, o consultivo - afirma - "não haveria processo sinodal, porque o discernimento dos pastores, que é a segunda fase, é feito sobre o que emergiu da escuta do povo de Deus".

O Cardeal Grech também enfatizou que "o processo sinodal não foi concebido em uma mesa redonda; ele surgiu do próprio caminho da Igreja durante todo o período pós-conciliar", acrescentando que "a próxima assembleia se concentrará precisamente na sinodalidade". Afinal, os frutos que podem ser esperados já estão implicitamente indicados no título indicado pelo Papa para a assembleia: Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão".

"Durante muito tempo", observa Grech, "falou-se de comunhão como um elemento constitutivo da Igreja". Hoje parece claro que tal comunhão ou é sinodal ou não é comunhão. Parece um slogan, mas seu significado é preciso: a sinodalidade é a forma de comunhão da Igreja-povo de Deus". Quanto aos objetivos, ele especifica que "a vontade da Secretaria Geral é permitir que todos possam fazer ouvir a sua voz; que a escuta seja a verdadeira conversão pastoral da Igreja". Que Deus conceda que um dos frutos do Sínodo possa ser que todos nós compreendamos que um processo de decisão na Igreja começa sempre com a escuta, porque só assim podemos compreender como e para onde o Espírito quer conduzir a Igreja".

Com relação ao papel dos bispos, Grech observa que "a força do processo está na reciprocidade entre consulta e discernimento". Nisso reside o princípio fecundo que pode levar a um maior desenvolvimento da sinodalidade, da Igreja Sinodal e do Sínodo dos Bispos". Por fim, conclui que: "Quanto mais se caminha, mais se aprende à medida que se vai caminhando. Estou convencido de que a experiência do próximo Sínodo nos dirá muito sobre a sinodalidade e como implementá-la.

 

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